Bairros

Cobrança de asfalto revolta moradores

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Moradores do Parque Roosevelt e do Jardim Mendonça estão revoltados com a cobrança do asfalto executado em algumas ruas do bairro, que eles pensavam ter sido feito de graça pela prefeitura. Nos últimos dias, eles receberam boletos para o pagamento imediato do serviço realizado há mais de um ano. A administração municipal esclarece que a cobrança é legal e amparada na lei orgânica, e que os moradores poderão renegociar a data de vencimento dos boletos.

No Jardim Mendonça, os moradores fizeram um protesto ontem à tarde e interromperam o trânsito na avenida Rosa Malandrino Mondelli com pneus em chamas. A situação foi controlada até o princípio da noite. De acordo com Rosemeire Maria Martins, que é moradora da quadra 15 da avenida, o boleto foi entregue em sua casa ontem à tarde, com valor de cerca de R$ 800,00, parcelados em 10 vezes. O primeiro pagamento seria ontem.

“Eu teria menos de uma hora para fazer esse pagamento”, comenta. Ela relata que a pavimentação da via estava interrompida e foi retomada no ano passado pela prefeitura. “Eles terminaram em agosto e o secretário de Obras (na época, Antônio Carlos Duarte) havia se comprometido a fazer o asfalto para a população do bairro. Agora, como é que eles vão cobrar o que nos foi prometido? Parece até que o prefeito quer deixar o cofre cheio antes de sair de lá”, ironiza.

Para Janete da Silva Salvestro, moradora da quadra 4 da rua Sargento Leôncio Ferreira dos Santos, no Parque Roosevelt, os moradores deveriam ter sido avisados da cobrança, já que não foram incluídos em planos de asfalto comunitário. Ela recebeu a cobrança para o pagamento de 18 parcelas de R$ 76,89, totalizando R$ 1.384,02.

“Todos os moradores das quadras asfaltadas em 2002 receberam a cobrança. Nunca fomos procurados pela prefeitura para avisar que o asfalto seria cobrado, e dois anos depois eles mandam a conta. Isso é um absurdo!”, indigna-se.

Sílvia Fernanda Ferreira, vizinha de Janete, aponta que os moradores foram obrigados a construir calçadas em suas residências, enquanto terrenos baldios da via continuam sem calçamento. “Nos terrenos da prefeitura, como o da horta comunitária, não têm calçada. Eles só sabem cobrar da população”, afirma.

O secretário de Obras, José Ângelo Padovan, esclarece que a administração municipal nunca oferece a pavimentação das vias sem custo para os moradores. Ele aponta que mesmo as pessoas que não aceitarem pagar pelo asfalto em bairros inseridos no plano comunitário serão cobradas posteriormente pela prefeitura. “Não adianta pensar que o ato de não aderir ao asfalto comunitário tira a responsabilidade do pagamento. Todo mundo tem de pagar o asfalto”, diz.

____________________

Outros bairros também devem receber cobrança

A secretária de Finanças, Maria Inês Sander, afirma que todas as vias que são asfaltadas terão o serviço cobrado de seus moradores, a não ser quando a obra é realizada com recursos estaduais ou federais. É o caso da duplicação da avenida Luiz Edmundo Coube, que dá acesso ao câmpus da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e à rodovia Bauru-Jaú, e que vem sendo realizada com verbas do governo do Estado.

A duplicação da avenida Getúlio Vargas, realizada no ano passado, ainda não foi cobrada dos moradores e proprietários de estabelecimentos na via. A possibilidade da obrigação do pagamento assustou o empresário Antônio Sérgio Silva. Após ser consultado pela reportagem do JC, ele falou com dois vizinhos e confirmou que nenhum deles havia recebido qualquer notificação.

“Eu nunca ouvi ninguém falar sobre isso. Para mim, a duplicação da Getúlio era uma obra da prefeitura para a cidade”, diz. Josiandra Cristina Leite, que é gerente de um posto de combustível na quadra 24 da avenida, também não tinha conhecimento da cobrança. “Não estamos sabendo de nada. Só vamos descobrir quando chegar o boleto”, lamenta.

Comentários

Comentários