Economia & Negócios

Mercado de semijóias aumenta 35%

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

O setor de produção e varejo de semijóias e bijuterias vem crescendo em todo o Brasil e ganhando destaque no Exterior, principalmente em função do design único, colorido e criativo das peças nacionais. Estimativas do mercado apontam que o setor brasileiro de bijuterias e acessórios deve terminar 2004 com movimento de cerca de R$ 800 milhões, um crescimento de 35% em relação a 2003. Em Bauru, o principal reflexo do bom momento do setor é a presença de diversas lojas especializadas em acessórios, espalhadas pelo Centro, shopping e bairros da cidade.

A empresária Lucimara Ferraz de Souza, que é proprietária de duas lojas de bijuterias e acessórios, no Centro e no Bauru Shopping, comenta que o crescimento do setor vem sendo verificado especialmente no aumento da concorrência. “Trabalhamos com uma linha mais diferenciada de produtos, com mais qualidade. No setor de bijuterias, temos de estar sempre atualizados com o que está na moda”, indica.

Mesmo oferecendo artigos a preços mais altos do que alguns concorrentes, a empresária revela que suas lojas chegam a vender mais de 300 peças em um final de semana. “Nessa época, vendemos muita coisa para formaturas e festas, peças mais finas e numa linha mais social. Não trabalhamos com produtos mais populares, preferimos oferecer peças de uma qualidade melhor, produzidas com bons materiais”, diz Lucimara.

Na opinião da empresária Karina Keli Romero Alexandre, que possui seis lojas com produção própria de bijuterias e acessórios, o preço é o principal diferencial para o sucesso das vendas. “Notamos esse crescimento do mercado aqui em Bauru. São muitas lojas tanto no Centro quanto nos bairros. Mas quem não tem preço e peças de qualidade não consegue competir. Os três pontos fundamentais para fazer sucesso com bijuteria é a qualidade, o bom gosto e o preço”, afirma.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM), a exportação de bijuterias de metais comuns cresceu 70%, na comparação de janeiro a outubro deste ano com o mesmo período do ano passado. No total do setor de jóias, o crescimento foi de 20%. Ainda segundo o IBGM, os principais canais de distribuição varejista das jóias são as lojas de shopping (36%), vendedores autônomos (30%), lojas de rua (27%) e outros (7%).

Estilo e diferença

Fãs de bijuterias e acessórios, as colegas Patrícia de Melo, Patrícia Santos e Vanessa Vicente confirmam a grande oferta de lojas com opções diversificadas em Bauru. “Uma bijuteria legal faz a diferença no visual e não é difícil achar peças com preços baixos, a partir de R$ 1,00. Sabendo escolher, você percebe quais são os produtos de mais qualidade”, aponta Patrícia de Melo.

Para Vanessa, que diz gostar de brincos e acessórios coloridos, as mulheres têm que saber escolher peças que se enquadrem em seu estilo. “Toda mulher precisa ter bijuterias e brincos de várias cores e vários modelos, de preferência que combinem com todas as roupas. Elas dão um toque mais bonito e sensual”, acrescenta Patrícia Santos.

De acordo com a empresária Lucimara, os artigos mais procurados atualmente e que devem seguir como tendência para o verão são as peças com borboletas, libélulas e estrelas, em metal, prata e strass. O estilo foi lançado pela personagem de Débora Falabella na novela “Senhora do Destino” e já conquistou o mercado. “A bijuteria tem que ser assim mesmo, um complemento que dá um toque a mais na roupa e até muda o visual”, explica a empresária.

A vendedora Patrícia de Melo indica ainda peças com cores vibrantes, como verde e rosa, para chamar atenção. “A mulher adora bijuteria porque ela não se arruma para si mesma, e sim para impressionar as outras (risos)”, conclui.

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Produtora de jóias aposta no design e personalidade

Assim como as lojas de semijóias e bijuterias apresentaram crescimento surpreendente nos últimos anos, os estabelecimentos que oferecem a matéria-prima para as peças também acompanham o mercado. A situação privilegia os produtores e designers de jóias que ainda não possuem seu próprio estabelecimento, mas encontraram na produção de peças uma maneira de complementar o orçamento familiar.

É o caso da jornalista Neide Maria Carlos, que começou montando peças para seu uso pessoal e, há quatro meses, por incentivo dos amigos, passou a produzi-las para vender. “Muita gente me pedia e eu fazia as peças para dar de presente. Como estava desempregada, isso foi uma oportunidade que apareceu e está dando certo”, comenta.

Neide produz cerca de dez peças por semana e revela que nunca fez cursos sobre o assunto. “Eu aprendi sozinha, mas as lojas que vendem o material até oferecem algumas instruções. Vejo que esse mercado realmente está crescendo porque apareceram novas lojas de materiais na cidade, e como a concorrência aumentou, os preços até baixaram um pouco”, analisa.

Para produzir as peças, ela presta atenção nos acessórios que as pessoas já estão usando nas ruas, na TV e nas revistas. “Mas eu modifico as idéias para fazer peças diferentes, personalizadas. Essa é a tendência atual da moda, de fazer algo diferente, especialmente nos acessórios que dão tanta personalidade para as pessoas”, finaliza.

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