O número de pessoas assassinadas neste ano em Bauru pode chegar a 57, se a morte do mototaxista Ramiro José dos Santos, 51 anos, for considerada um homicídio. Ele se envolveu numa briga na madrugada de sábado e foi agredido por várias pessoas num bar, na avenida Nações Unidas, 7-89, no Centro.
Com ferimentos na face, ele foi socorrido por uma unidade de resgate do Corpo de Bombeiros ao Pronto-Socorro Central, onde morreu algumas horas depois. “O caso foi registrado como lesão corporal seguida de morte, mas não está descartada nenhuma possibilidade (como homicídio e latrocínio)”, explica o delegado do 3.º Distrito Policial (DP), Marcelo Haddad.
De acordo com ele, foi instaurado um inquérito policial para apurar quem foram os agressores e a denúncia do sumiço da carteira da vítima, que continha documentos pessoais e R$ 400,00 em dinheiro. Percebeu a falta da bolsa, a esposa de Ramiro. Maria das Dores Dias Rocha era casada com ele há 16 anos.
Ela informou à reportagem que, quando foi agredido, Ramiro estava num bar acompanhado por um amigo, também ouvido pelo JC. O rapaz, que teve o nome preservado, disse apenas que também apanhou na ocasião. Ele garante não se recordar da razão que motivou o desentendimento no estabelecimento.
No entanto, informações extra-oficiais obtidas próximo ao local da ocorrência indicam que Ramiro teria tentado proteger uma mulher, também vítima de violência.
O contexto da agressão fortalece o projeto de lei em trâmite na Câmara Municipal de Bauru que prevê o fechamento dos bares a partir das 23h, como tentativa de reduzir os índices de criminalidade. De acordo com levantamento da Polícia Militar, entre abril do ano passado e maio deste ano, foram registradas 350 ocorrências como roubos, agressões ou homicídios em bares, sendo que 40% delas no período noturno.
A medida, que visa reduzir a escalada da violência, talvez não fosse capaz de evitar o último assassinato registrado na cidade, que vitimou o estagiário de editoração gráfica Gustavo Vinícius de Oliveira, 19 anos. Com sinais de agressão na cabeça, o corpo dele foi encontrado há uma semana na Vila Santista. O caso, que continua sendo investigado pela polícia, elevou para 56 o total de homicídios.
O cálculo de assassinatos registrados pelo JC não coincide com o levantamento da Polícia Civil, para quem o número de casos notificados neste ano é de 47. A soma oficial e a calculada pela reportagem não batem porque o jornal considera vítimas de assassinato todas as pessoas mortas decorrentes de uma situação violenta, inclusive as que morreram dias após o fato, situação que recebe outra tipificação para a polícia.