Duartina - Uma reunião entre o prefeito Ênio Simão (PFL) e o provedor da Santa Casa de Duartina (38 quilômetros a sudoeste de Bauru), Fiovo Maranho, deve resultar hoje em um acordo para pôr fim à suspensão do repasse mensal ao Pronto-Socorro (PS).
De acordo com o prefeito, o acordo ainda não foi fechado, mas a prefeitura estaria disposta a entregar para a Santa Casa dinheiro suficiente para cobrir as despesas até o fim deste ano. Simão comentou que ainda falta acertar alguns detalhes, mas não revelou quais seriam. “Não gosto de falar sobre isso sem ter certeza (do que vai acontecer na reunião de hoje)”, disse.
O repasse da prefeitura, no valor de R$ 23 mil, foi suspenso em outubro passado, depois que o provedor do hospital teria se negado a fazer algumas mudanças no atendimento dentro do PS, entre as quais estaria a dispensa de médicos.
A medida teria sido motivada após seguidas reclamações, segundo o prefeito, de moradores da cidade sobre o atendimento médico recebido no PS. A queixa chegou ao conhecimento de Ênio durante a campanha eleitoral deste ano. Depois disso, ele condicionou a continuidade dos repasses a mudanças no quadro clínico.
O provedor da Santa Casa disse que chegou a aceitar a exigência, mas a prefeitura não teria cumprido a parte dela, que era indicar um substituto para a vaga que ficou em aberto.
Como não houve nenhuma indicação, o quadro clínico permaneceu inalterado. Até há pouco tempo, existiam três médicos na cidade. Atualmente, são apenas dois. Segundo Maranho, eles se revezam das 7h às 19h. À noite e nos fins de semana, os plantões são feitos por outros médicos, alguns deles de cidades da região.
A suspensão dos repasses teve reflexos imediatos dentro do PS, segundo informou o provedor. Um deles é a falta de remédios em quantidade satisfatória para atender os pacientes. “Estamos usando apenas aquilo que é estritamente necessário.”
Por mês, são realizadas aproximadamente 3 mil consultas. Desse total, cerca de um terço é coberto com dinheiro do Sistema Único de Saúde (SUS) e do que restou 70% era pago com os repasses da prefeitura. Sem a verba municipal, o hospital está tendo de bancar essa despesa.
Maranho está há quatro anos à frente da Santa Casa. Ele foi reeleito e, de acordo com o estatuto do hospital, não poderia concorrer a um terceiro mandato seguido. Essa hipótese só é aceita se não houver nenhum outro candidato ao cargo.
“Desde que haja um entendimento com a prefeitura, eu me coloco à disposição (para continuar como provedor)”, sinalizou Maranho. Um de seus principais objetivos é concluir a reforma que está sendo feita no hospital.
Já foram gastos cerca de R$ 270 mil e ainda faltam, de acordo com as contas do provedor, mais R$ 100 mil para encerrar os trabalhos. Com esse dinheiro em caixa, Maranho acredita que tudo estaria pronto dentro de um ano. O PS teve sua reforma concluída há cerca de dois anos.
Dentre os serviços realizados estão a troca de toda a tubulação de esgoto, substituição de piso e forro e reestruturação das paredes.