Pirajuí - Há exatos 100 anos, o fazendeiro Gustavo Maciel registrava em ata a fundação do Patrimônio de São Sebastião do Pouso Alegre, que mais tarde passaria a se chamar simplesmente Pirajuí (58 quilômetros a noroeste de Bauru).
A data será comemorada hoje com a celebração de uma missa na Igreja Matriz de São Sebastião. Nada mais que isso. Para efeito de comemoração, o município segue oficialmente a data em que foi dada posse à primeira Câmara da cidade. Isso foi no dia 29 de março de 1915. A emancipação veio um pouco antes: no dia 3 de dezembro de 1914.
Na avaliação do pesquisador Vivaldo Pitta, o mais correto seria contar os anos de existência de um município a partir de sua fundação e não após a emancipação ou mesmo depois da instalação da primeira Câmara. “É a mesma coisa que começar a contar a idade depois de atingir a maioridade, desprezando os anos da infância e da juventude”, comparou.
Segundo ele, atualmente no Brasil, cada município adota um momento diferente para comemorar. Têm aqueles que preferem festejar a data de fundação, outros a data da emancipação ou ainda a data de autonomia política, com a criação do Poder Legislativo próprio, como é o caso de Pirajuí e Lins, por exemplo.
O primeiro prefeito de Pirajuí, segundo consta da pesquisa feita por Pitta, foi Eloy de Almeida Cardia. O primeiro presidente da Câmara foi Manoel Nogueira de Sá. Naquela época, o patrimônio contava com apenas cinco vereadores.
A extensão territorial de Pirajuí era bem maior do que é hoje. Pertenciam ao patrimônio as áreas que são ocupadas atualmente por Guarantã, Cafelândia, Pongaí, Uru, Reginópolis e Balbinos.
Durante o processo de coleta de material sobre o município, Pitta descobriu que na década de 30 Pirajuí foi considerado o maior produtor de café do Brasil, com 60 milhões de pés plantados.
Em função da grande necessidade de mão-de-obra para trabalhar na lavoura, o município chegou a ter naquela época cerca de 75 mil moradores. Era mais do que o dobro do que existia em Bauru - cerca de 25 mil habitantes. Ou seja, um dia, Pirajuí já foi maior do que Bauru, segundo revelam os documentos coletados por Pitta.
O tempo passou, as plantações de café foram perdendo espaço para os pastos e a cana e a população diminuíram. Hoje, Pirajuí tem pouco mais de 20 mil habitantes, enquanto em Bauru esse número já ultrapassa os 340 mil, segundo último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo Pitta, a base de sua pesquisa foram os jornais da época, tanto de Pirajuí quanto de Bauru, que registravam o dia-a-dia da comunidade local e suas mudanças sutis e constantes.