Êta palavrinha mágica. Com certeza, você bateu o olho e teve a tentação de descobrir a oportunidade oferecida. É grátis nos convida a aproveitar algum tipo de vantagem que, em circunstâncias normais, não nos seria oferecida. É grátis nos tira do plano de limite e nos coloca no plano da esperança. É grátis nos retira da certeza do eu não posso e nos oferece uma chance de poder realizar É isso que procuramos no grátis: oportunidade, esperança e poder realizar. Grátis é tão convidativo que é uma palavra, bem ou mal utilizada, que aparece 18 milhões e 700 mil vezes em um site de busca na internet. Mas o que é grátis? Será que o grátis não tem um preço? Penso que existem dois critérios para responder esta pergunta: o humano e o divino. No plano humano, o grátis tem o preço da retribuição, isto é, tem o preço do retorno.
Ele requer uma resposta de reciprocidade imediata ou após algum tempo; ele é provisório e se sustenta na possibilidade de um investimento que valha a pena. Vale a pena investir no grátis para a criança e atrair o bolso dos pais; vale a pena investir no grátis de um brinde para atrair o cliente para as compras. Vale a pena investir no grátis que, com certeza, já faz parte de alguma planilha de custos.
No plano divino, o grátis é de graça mesmo. É incondicional, é irrestrito, é irrevogável, é irreprochável e irresgatável, isto é, não se sustenta na condição de resgate de um investimento. Até porque, se Deus fosse nos conceder o grátis pela nossa capacidade de pagamento, o céu estaria cheio de inadimplentes! Enquanto no plano humano, o grátis tem o preço da retribuição, no plano divino o único preço, com todos os descontos possíveis e inimaginários, é o preço da contribuição. Deus não nos pede retribuição porque ele não precisa de retorno para Ele, pois Ele já é pleno. Mas Deus nos pede a contribuição porque Ele quer precisar de nós, de nossos talentos, de nossos carismas (aliás, doados por Ele!) para Se revelar a nossos irmãos, os seus outros filhos.
O “Pedi e recebereis” (Jo 16,24), o “A quem tem sede eu darei gratuitamente de beber da fonte da água viva.” (Ap 21,6-b), deve ser acompanhado do Em verdade vos digo, cada vez que fizestes alguma coisa para um dos menores desses meus irmãos, o fizestes a mim” (Mt 25,40).
Comemoramos nesse dia 28 de novembro o Dia Mundial de Ação de Graças e, com certeza, cada um de nós tem todos os motivos para agradecer a Deus pela vida, pela nossa família, pelo nosso trabalho, pela nossa Igreja, pela nossa Pátria; inclusive, temos os mesmos motivos para agradecer a Deus pelos nossos sofrimentos, problemas e limites, pois eles têm um lugar no projeto de Deus. Como disse o médico e sacerdote João Mohana: "Somos felizes, não apesar de nossos sofrimentos, mas por causa deles". Por isso, não apenas nas favoráveis, mas "em todas circunstâncias, daí graças, porque esta é a vosso respeito a vontade de Deus em Jesus Cristo". (I Tess 5, 18).
O autor, Pedro Antonio Domingues, é professor dos cursos de administração, pedagogia, hotelaria e turismo da Universidade São Francisco - e-mail: pedrodomingues@saofrancisco.edu.br