Tribuna do Leitor

Luz e escuridão no fim do túnel


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Frente a mais uma questão envolvendo a CPFL, muitos dos que contribuíram para privatizá-la agora põem-se a chorar lágrimas de crocodilo. Ora, como empresa privada, ela deve mover-se pelo lucro, não pelo interesse público, senão pode ir à falência.

Assim ela deve tratar o acesso ao HE e Unesp que, ainda, são públicos, estaduais. Assim ela deve tratar da iluminação pública em geral. E como a Anaeel permite que sejam cobradas até 12 horas de iluminação por dia, do ponto de vista contratual estará legal cobrar pela luz do sol. É bem capaz dos 14 milhões de reais, ou sabe-se lá quanto que a Prefeitura teria a acertar com a CPFL sejam, contratualmente, legal. Recordemo-nos, apenas, do que foi privatizado em nível estadual, por governos do PSDB: CPFL, Cesp, Telesp, Banespa, Fepasa.

Um resultado imediato foi a eliminação de milhares de empregos, só em Bauru. Dos empregos que restaram, alguns foram ocupados por estrangeiros. Como empresas privadas, isto está correto, pois senão não há lucro. Mas dizia-se que era para ser um remédio amargo que, depois, só traria alegrias. Que as tarifas seriam menores. Mas o resultado foi aumento de tarifas, em valor real, ou seja, acima da inflação. Que o consumidor teria um serviço melhor. Quem já teve que resolver uma situação através de um 0800 sabe o quanto perde de tempo e de não resolução de problemas, que antes eram eficientemente tratados por empresas públicas que tinham seções para isso, em endereços bem conhecidos dos bauruenses.

Que a dívida pública diminuiria. Além de aumentar, boa parte das privatizações foi feita com dinheiro público do BNDES. Para culminar, algumas das privatizadas agora não pagam o que devem ao BNDES. Em compensação, os tucanos têm o hábito de desqualificar os interlocutores: seriam todos neobobos, burros, etc. Depois de desqualificar, dizem estar abertos ao diálogo.

Geraldo Bergamo - professor da Unesp - RG 5538451

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