Auto Mercado

Manutenção fácil e boa para o bolso

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

A grana anda curta para todo mundo e, por isso, garantir a manutenção em ordem de uma motocicleta nem sempre é tarefa fácil. Entretanto, pequenos cuidados, que podem ser tomados em casa, fazem grande diferença no desempenho das motos, contribuindo para economizar combustível e evitar desgaste prematuro de peças. E o melhor: você não gastará quase nada para executá-los nem precisará de ferramentas. O piloto bauruense Marcel Sona Cardoso, que também é instrutor credenciado pela Honda e um dos proprietários de uma revenda, é quem dá as principais dicas, que envolvem itens como pneus, embreagem, freios, lubrificação e até comportamento no trânsito. “A melhor maneira de evitar gastos desnecessários é a manutenção preventiva. Por isso, esses componentes merecem atenção especial dos motociclistas e devem ser checados periodicamente, pelo menos, a cada 500 quilômetros ou quando o piloto sentir algo errado na moto”, considera.

Sobre os pneus, Marcel enfatiza ser extremamente comum a falta de calibragem. “De cada dez motos que entram na oficina, sete apresentam o problema. Os pilotos precisam atentar-se que, conforme o uso e a temperatura do asfalto, os pneus perdem de duas a três libras em cerca de 15 dias. E rodar com eles assim causa perda de rendimento com conseqüente aumento do consumo e instabilidade da moto”, adverte. Por isso, o ideal é que a pressão seja checada quinzenalmente e, como nos automóveis, sempre com os pneus frios.

A regulagem da embreagem também deve ser outra preocupação, pois ela não pode ficar alta - “enforcada” - ou baixa em demasia. “No primeiro caso, ela permanecerá acionada sem necessidade, podendo provocar a queima do equipamento. Já no segundo, quando a moto parar em um cruzamento ou semáforo, por exemplo, o condutor não conseguirá desengatá-la”, alerta Marcel.

Para fugir do problema, a solução é adotar o ajuste intermediário do componente. “Para encontrá-lo, basta deixar o acionamento a cerca de três centímetros do guidão. Se acionar com cinco centímetros, estará enforcada”, esclarece. Segundo o piloto, rodar com a embreagem excessivamente alta ou baixa pode abreviar sua vida útil em até 50%, além de aumentar o consumo e o desgaste do motor. “Conforme o uso, ela dura cerca de 20 mil quilômetros, mas já vi casos de não atingir 3 mil por causa do ajuste irregular”, frisa.

Para os freios, as recomendações são as mesmas das embreagens: devem atuar no ajuste intermediário. “Ao rodar com eles muito baixos, que se caracteriza quando a manopla praticamente encosta no guidão, o motociclista perde a potência de frenagem. Já se estiverem altos, poderão travar as rodas e acelerar o consumo das pastilhas”, avisa Marcel. No entanto, o piloto acrescenta. “Com o uso, a tendência do sistema é ir abaixando. Desta forma, o dono pode corrigir o desgaste natural através dessa pequena regulagem manual”, diz. Ele ensina que um bom ajuste propicia o acionamento do freio com a manopla a cerca de dois centímetros do guidão.

Marcel lembra, ainda, que outro item, o afogador, é causa constante de falhas e consumo excessivo de combustível. “Muitos motociclistas chegam nas oficinas reclamando de perda de desempenho e da marcha lenta e do alto gasto de gasolina, problemas muitas vezes originados pelo esquecimento do afogador acionado”, afirma. “É preciso ficar atento com seu uso, principalmente após ligá-lo em partidas a frio”, conclui.

Corrente

A manutenção da corrente das motocicletas merece um capítulo à parte. Segundo o piloto bauruense Marcel Cardoso, a principal preocupação com o componente deve ser a lubrificação.

“Ela jamais pode trabalhar seca, pois isso gera atrito, desgaste e ruído excessivo, comprometendo o consumo e o rendimento”, alerta. Ele explica que o principal sintoma de uma corrente com falta de lubrificação é a perda de desempenho. “A moto fica áspera e amarrada e o condutor tem a sensação que ela está travada”, ressalta.

Para evitar o problema, o ideal é que o componente seja lubrificado a cada 100 quilômetros com óleos de maior viscosidade. “Os recomendáveis são os mais grossos possíveis. Pode ser até os utilizados em automóveis”, destaca Marcel. Outra opção é a graxa ou os sprays específicos. “Não há contra-indicação da graxa, mas o spray é melhor porque executa uma manutenção mais limpa e dura cerca de 30% mais que o óleo. Mas se resolver usar a primeira, a branca é a mais indicada, pois é resistente à água”, frisa o piloto.

Já se a corrente precisar de reapertos, este será o único caso em que o proprietário da moto necessitará de ferramentas. Por isso, se não as possuir, não pense duas vezes em levá-la à oficinas especializadas. Mas quando isso é necessário? “Se ela estiver esticada ou folgada demais”, orienta Marcel.

Na primeira situação, o condutor sentirá a moto “amarrada”, estralando e fazendo barulhos. “Além de desconfortável em virtude da eliminação do acionamento da suspensão, é perigoso, pois pode ocasionar a quebra do eixo do câmbio”, sustenta. Já a segunda hipótese caracteriza-se por uma “barriga” na corrente. “Ela pode escapar, soltando-se da coroa e travando a roda, causando um acidente sério”, adverte.

Comentários

Comentários