Bairros

'Enchentes se repetirão por anos'

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Avenida Alfredo Maia, avenida Nações Unidas, rotatória Chujiro Otake, Pousada da Esperança e Parque Jaraguá são apenas alguns dos pontos que novamente sofrerão alagamentos no próximo verão.

A informação é de Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil de Bauru. Ele afirma que o sonho de acabar com as enchentes da cidade ainda está longe de ser realizado porque a demanda de obras a serem feitas é bastante grande.

Além dos locais citados, Brito acredita que haverá problemas na avenida Castelo Branco; na rua Felicíssimo Antônio Pereira, na Vila Santista; e embairros como Parque Roosevelt, Jardim Solange, Núcleo Leão 13 e Parque Santa Cândida. “A maioria são bairros que têm muitas ruas de terra, não têm sistema de captação de água e certamente terão problemas”, destaca.

Na opinião do coordenador da Defesa Civil, Bauru ainda terá problemas de enchentes durante muitos anos. Até agora, a prefeitura tem “tapado buracos”, ou seja, investido em locais que já apresentam problemas, e não está fazendo obras preventivas.

“Não vai ser só agora não. Se não houver um investimento maciço na realização de obras para combater as enchentes, Bauru ainda vai perder muito com as chuvas”, afirma.

Segundo Brito, inclusive os locais em que foram implantadas recentemente galerias de águas pluviais estarão vulneráveis às chuvas fortes. Ele explica que, em determinados bairros, como Pousada da Esperança 2, as obras devem apenas amenizar os problemas.

“Na Pousada tem erosão, tem ruas de terra. O bairro como um todo ainda enfrentará problemas mas, nos locais em que foram colocadas galerias, certamente os problemas serão menores. A obra de combate a enchente não dá garantia 100%”, revela.

Outro bairro que ele aponta como preocupante é o Parque Jaraguá. “A parte baixa do Parque Jaraguá certamente vai enfrentar problemas com as chuvas. Ali é uma favela e certamente será atingida”, alerta.

Umaspecto preocupante, para o coordenador da Defesa Civil, é que aproximadamente 85% da água que cai no município tem como destino final o Ribeirão Bauru. “Se chover na Vila Dutra, no Mary Dota, no Geisel, no Redentor, na região central ou no Jardim América, toda essa água vai para o rio Bauru através de afluentes ou sistemas de galerias. Temos uma grande bacia de recepção de águas e um único canal de escoamento, que é o rio Bauru”, explica.

A solução seria reter parte da água no local em que ela cai. “Assim, permitimos que a água que está no canal escoe para depois descer a outra. Se estabelece uma ordem e se controla até determinado ponto para não transbordar”, expõe.

Isso pode ser feito, por exemplo, através da construção de caixas de contenção de águas águas pluviais, as piscininhas. Hoje, a prefeitura já exige que novos loteamentos sejam entregues com a infraestrutura de drenagem. Mas, na opinião de Brito, essa exigência deve ser ampliada.

“Precisamos estender isso para áreas de estacionamento, praças, etc.Aágua que cai nesses locais seria armazenada e liberada gradativamente”, sugere.

Além de piscininhas, Brito aponta a necessidade de construção de barragens (ou piscinões) e galerias de águas pluviais em toda a cidade.

“Mais galerias ajudariam muito. A água que está correndo na galeria estaria sendo canalizada. Por exemplo, o Centro da cidade quase não tem galeria. Está descendo muita água pela Gerson França, Monsenhor Claro, Agenor Meira, 13 de Maio e Virgílio Malta, coisa que não se observava antigamente”, frisa.

Enquanto as inundações continuam, a população deve estar atenda para as orientações da Defesa Civil, como evitar sair de casa em dias de chuva forte.

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