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ONGs se unem pela mata atlântica

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

A sociedade brasileira precisa romper a cultura da degradação. A afirmação é de Mário Mantovani, diretor da Fundação SOS Mata Atlântica. Ele participou do Encontro Regional Sudeste da Rede de ONGs da Mata Atlântica, realizado ontem e anteontem em Bauru.

“É uma cultura de degradação que existe no País que a gente tem de superar. Tem momentos em que o Brasil fica mais atento à questão ambiental, mas geralmente não”, expõe o ambientalista.

“Quando se fala em sociedade, fica difícil. A gente é um País terceiro mundista. O que temos é uma cultura de depredação que vem da época colonial”, reforça.

Uma das soluções para este cenário, na opinião de Mantovani, é aproximar a discussão sobre a necessidade de preservação da mata atlântica do cotidiano das pessoas. “É trazer a discussão da mata atlântica para o dia-a-dia, dizendo que proteger a floresta é proteger a água que a gente bebe. Não dá para conviver com esse tipo de devastação. As pessoas precisam entender a relação da água e floresta, clima e floresta. O que a gente percebe hoje é que as pessoas não estão atentas a isso e criou um modelo perverso”, avalia.

A Fundação SOS Mata Atlântica e diversas outras entidades ambientalistas estão lutando para a aprovação do projeto de lei para preservação da mata atlântica, que já passou pela Câmara dos Deputados depois de 11 anos de tramitação e atualmente está no Senado.

Apesar dos obstáculos, ele tem esperança de que até o início do próximo ano o projeto de lei seja aprovado. “Vamos trabalhar com a perspectiva de estar comemorando em 2005 a aprovação”, diz.

Ivy Wiens, relações públicas do Instituto Ambiental Vidágua, afirma que, originalmente, Bauru, que hoje é conhecida pelo cerrado, tinha 80% de seu território cobertos pela mata atlântica. Hoje, restam apenas 11% desse total.

O início da destruição da mata atlântica data da chegada dos portugueses ao Brasil, em 1500. A relação dos colonizadores com a floresta e seus recursos foi predatória desde o começo. A falta de percepção da importância da mata atlântica levou à supressão de enormes áreas da floresta para expansão de lavouras e assentamentos urbanos, além de adoção de práticas de exploração seletiva e exaustiva de espécies.

Hoje, a mata atlântica sobrevive em cerca de 100 mil quilômetros quadrados. Seus principais remanescentes, segundo dados da Fundação SOS Mata Atlântica, concentram-se nos estados das regiões Sul e Sudeste, recobrindo parte da Serra do Mar e da Serra da Mantiqueira.

Trata-se de um dos mais ricos ecossistemas do Planeta em termos de diversidade biológica. Apesar da grande biodiversidade, a situação é grave porque, das 202 espécies de animais consideradas oficialmente ameaçadas de extinção no Brasil, 171 são da mata atlântica. O número tende a crescer rapidamente, segundo ambientalistas.

Mais de 80% da população brasileira vive em área de mata atlântica. É também abrigo para várias populações e garantia de abastecimento de água para mais de 120 milhões de pessoas.

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Encontro

O Encontro Regional Sudeste da Rede de ONGs da Mata Atlântica em Bauru foi organizado pelo Instituto Ambiental Vidágua, entidade que participa da rede.

Na região Sudeste, estão sendo realizados dois encontros – um em Bauru e um no Rio de Janeiro (RJ), que será no próximo fim de semana. Na região Sul, o evento está sendo realizado hoje, em Curitiba (PR), e na região Nordeste em Salvador (BA) e Fortaleza (CE).

Os encontros têm como objetivo promover a integração e a troca de experiências entre as entidades filiadas, criando oportunidades para a discussão de problemas; a proposição de soluções e a definição de prioridades em âmbito regional, estadual e nacional.

Em todos os encontros, são discutidos a pauta regional, o plano de ação da Rede de ONGs para longo prazo e o regimento interno. No evento realizado em Bauru, estiveram presentes representantes de instituições ambientais dos Estados de São Paulo e Minas Gerais.

O evento foi realizado em Bauru porque o Instituto Ambiental Vidágua, que tem sede no município, é o coordenador da Rede de ONGs da Mata Atlântica no Estado de São Paulo.

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