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Para curtir férias, alunos estudam mais

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Muito sol, praia e paquera no ritmo do som das danceterias. Esse é o cardápio de fim de ano da maioria dos adolescentes que cursa o primeiro grau. Uma parte já faz planos para curtir as férias de verão, mas uma outra luta bravamente contra o fantasma da recuperação, um atormento que pode adiar em algumas semanas o gozo delicioso da brisa marinha ou do ar puro do campo.

É hora de fazer as contas e passar a régua nas notas para checar se o alívio de abandonar as salas de aula virá já ou se a chatice da recuperação vai prorrogar por mais alguns dias o atormento de ver o giz deslizar pela lousa. O momento exige atenção redobrada. É uma tortura silenciosa que incomoda uma boa parte dos estudantes do ensino fundamental.

Cursando a 7ª série pela segunda vez, Bruna Mattos da Silva, 14 anos, é aluna da escola estadual Francisco Alves Brizola. Nos últimos dias, a ansiedade tomou conta da sua rotina. Ela tem dificuldade em assimilar o ensino de matématica, a grande vilã da maioria dos adolescentes. Suas notas nos três bimestres demonstram claramente a situação de desconforto.

“No primeiro, tirei C. Mas no segundo e terceiro bimestres caiu para D”, conta, com ar de quem já está conformada de que terá de enfrentar a recuperação. Bruna não culpa o professor que leciona a matéria. “Ele ensina bem e eu também procuro estudar. Mas sinceramente mexer com números não é comigo”, desabafa.

O comerciante Luiz Paulo da Silva endossa a avaliação da filha. “Na condição de pais, eu e milha mulher temos cumprido nosso papel. A Bruna sempre teve dificuldade em matemática. Chega a chorar. Ela sempre procura uma amiga que tem mais facilidade nos estudos para ver se deslancha”, justifica Silva.

Na ponta do lápis

Enquanto Bruna aguarda o desfecho de sua performance na recuperação, o clima que perdura nas salas de aula e nas rodinhas de bate-papo é de puro cálculo, uma constatação que conflita com as reclamações dos alunos, cuja maioria tem notas negativas na disciplina de matemática.

Aluno da 8.ª série do Colégio Seta, Lucas Orlato Pinotti, 14 anos, já comemora aliviado o pré-resultado da prova de recuperação. Como Bruna, ele também tem dificuldade em matemática. O estudante iniciou o ano com notas baixas: no primeiro e segundo bimestres ficou com média 4. No terceiro, registrou um salto: ficou com oito.

Mesmo assim, precisaria de uma proeza no último bimestre: tirar um 10 para escapar da recuperação. Não conseguiu. “Fiquei com 6,5. Já fiz a prova de recuperação e tirei 7. Na prova final, que deve ser segunda-feira (amanhã), vou precisar de 1,5 para fechar”, comemora.

No dia-a-dia, Pinotti diz que dispende cerca de 30 minutos para cumprir as tarefas que traz da sala de aula. Mas estudar mesmo para as provas bimestrais é algo que ocorre somente três dias antes. Ele reclama que os enunciados dos testes estão carregados de pegadinhas que confundem na hora da resolução do problema.

O alívio que sente Pinotti ainda está um pouco distante de Bruna Gabriela Voltolin, 13 anos, aluna da escola estadual Francisco Alves Brizola. Para aumentar a lista dos inimigos do grego Pitágoras - considerado o “Pai da Matemática” -, Bruna também tem restrições na hora de fazer contas na sala de aula. “Não gosto de números e muito menos de fazer contas”, revela. Com média C acumulada na caderneta, a adolescente acha muito difícil escapar da recuperação, o que vai lhe custar mais alguns dias de estudos.

“Estou nervosa. Na primeira prova deste bimestre tirei D”, informa. Bruna não é fã de abrir os cadernos em casa. “Lugar de estudar é na escola. Fazer isso em casa é muito estranho porque tem televisão, rádio e telefone”, justifica.

Sua mãe, Sueli Aparecida Soman Voltolin, acompanha de perto o histórico escolar da filha. “De vez em quando, uma boa bronca resolve. Se ela não trabalha, tem que estudar”, avisa.

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