Polícia

Falsa denúncia de seqüestro mobiliza PM

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 3 min

Uma denúncia que surgiu no Copom da Polícia Militar (PM) como um intrincado episódio de seqüestro-relâmpago acabou se revelando, ao final das investigações, como um caso de falsa comunicação de crime. O editor eletrônico Fernando de Poli Almeida, 18 anos, ligou às 9h da manhã de ontem para a PM avisando ter sido vítima de um seqüestro-relâmpago.

Segundo o relato do rapaz à PM, conta a sargento Denise Lima Marques, da Base Leste, ele teria sido capturado por um bandido que o manteve sob ameaça durante toda a noite para circular de carro por diversos caixas eletrônicos de bancos. Ainda segundo Almeida, ele teria sido levado à Quinta da Bela Olinda, onde teria entrado em luta corporal com seu agressor, que teria sido abatido com dois socos.

Diante da denúncia, duas viaturas da Base Leste e mais uma da Base Noroeste da PM, com um total de seis policiais, seguiram para o local indicado, ocasião em que o caso começou a ser esclarecido. Nas proximidades da lagoa da Quinta da Bela Olinda, policiais encontraram uma garota, menor de idade, junto a uma testemunha que a teria flagrado com Almeida em práticas sexuais, fora do carro.

Encaminhados ao Plantão da Delegacia Seccional, a menor acusou Almeida de tê-la estuprado, mas admitiu que já teria saído com o rapaz em outra oportunidade. O delegado de plantão, José Firmino de Oliveira convocou o denunciante que, diante das evidências, acabou admitindo que forjara a acusação de seqüestro para justificar sua aventura noturna. Almeida, no entanto, negou a acusação de estupro feita pela menor.

O delegado informou ainda que, como a garota não tem residência fixa, acionou o Conselho Tutelar, que a encaminhou primeiro à Maternidade Santa Izabel para atendimento médico, e depois para o Centro de Valorização da Criança (Cevac). O Conselho Tutelar tentará encontrar os familiares da menor, que diz não ter pais.

Firmino elaborou um Boletim de Ocorrência (BO) de falsa comunicação de crime contra Almeida e de averiguação de estupro. O delito de falsa comunicação de crime prevê detenção de um a seis meses, segundo o artigo 340 do Código Penal.

Frustado

Policiais da Base Leste também teriam frustrado, na madrugada de ontem, o que parecia ser uma tentativa de roubo com retenção da vítima. Segundo a sargento Denise, a denúncia surgiu à 1h de ontem, quando uma moradora quadra 6 da rua Alto Purus, na Bela Vista, acionou a PM com a informação de que pessoas pediam água em seu portão.

No local, policiais encontraram dois rapazes - um menor de idade e um maior encapuzado -, com a posse de vários cadarços, uma faca de cozinha e uma arma de brinquedo similar a uma real. Além disso, os suspeitos tinham papéis que reproduziam o mapa das ruas da região e da casa da suposta vítima, com detalhes sobre portas e janelas, sistema de alarme, cerca elétrica e até orientações do tipo “cortar a cerca elétrica” e “amarrar a vítima”.

Levados ao plantão policial, apurou-se que o menor é filho da faxineira que trabalha na casa da suposta vítima e que seu tio seria motorista particular da dona da residência. O delegado de plantão na madrugada, Mário Henrique Oliveira Ramos, elaborou um BO de apreensão de objetos e liberou os suspeitos detidos pela PM. Ramos não foi localizado pela reportagem para comentar sua decisão.

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