O democrata Elias Calixto Bittar permitiria que eu contasse o que me disse algumas vezes: “Gostaria de encontrar o dr. Ítalo Ferrigno, delegado de Polícia de Bauru, na época, para tirar a minha dúvida: por que durante o confronto ele não me prendeu?” Eu sempre respondia: pelo mesmo motivo que ele tirou a minha irmã e eu das mão do DOI-CODI (Departamento do Exército que combatia os “comunistas”), ou seja, como delegado do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), ele manteve sempre o mesmo modo de agir: servir sem perseguir.
Quando nos encontrávamos (na Câmara Municipal, no escritório do deputado Pedro Tobias), conversávamos muito, eu e Elias, sobre os “anos de chumbo” e os que participaram efetivamente, não perdendo tempo com os ideólogos de botequim, que ainda pululam por aí. Escrevi, neste espaço, sobre a anistia a Lula e a não anistia a Elias, e ele andava com o pedaço do jornal, que mostrou à minha mãe. Neste dia eu não estava lá, e, na correria, agora é tarde. Me resta orar por ele e me solidarizar com a família, para quem ele queria deixar um pecúlio. Deixou um pecúlio moral que não tem preço. Até um dia, companheiro!
Engº Coaracy Antonio Domingues - RG 5 012 322-1