Nas metrópoles e cidades grandes a limpeza pública se transformou em novo mercado de trabalho. Não somente homens como, também, muitas mulheres, passaram a executá-la, como são notadas pelos que transitam nas vias públicas. E há cerca de 30 anos o expediente aumentou, razão pela qual centenas de mulheres, simpaticamente uniformizadas, executam em muitos locais o trabalho de varredura de calçadas e de cuidados dos canteiros de gramados e jardins, complementando experiências levadas a efeito em cidades interioranas. A maioria das mulheres é casada, com grandes responsabilidades na criação dos filhos e participação no sustento da casa, em parceria com os maridos, às vezes desempregados ou doentes. A tarefa não as envergonha precisamente, pois as mulheres consideram, acertadamente, que todo trabalho se reveste de honestidade, nisso se encaixando também as tarefas domésticas como cozinheira, lavadeira e arrumadeira. Fazem-no, então, sem o menor constrangimento, mesmo quando não alfabetizadas e sem limite de idade, algumas com mais de 50 anos. Ganharam até um apelido, “Margaridaâ€, pelo qual são chamadas carinhosamente pelos que passam por elas e acham-nas simpáticas ou mesmo bonitas em seus uniformes amarelos. “Gosto do serviço que faço porque é ao ar livre. Quando chove a gente não trabalha, sem perder salárioâ€, fala uma delas, satisfeita com o bondoso apelido que lhe dão e que lembra uma das mais belas flores dos jardins por ela cuidados. â€œÉ verdade que às vezes eu desanimo, com o impiedoso sol torrando meus cabelos e afogueando o meu rosto. Mas depois eu fico pensando no meu velho, estendido na cama, muito doente e também pensando em mim, querendo sararâ€, frisa outra Margarida, acrescentando: “À noite, quando meu velho está dormindo, eu passo a mão no seu peito, sinto os seus ossos, começo a chorar e não paro mais, pedindo a Deus para que volte seu pensamento para mimâ€. É isso aí, prezado leitor. As flores são tão bondosas que se emprestam às suas amigas, dando-lhes o seu augusto nome e incentivando-as no ganho da sua vida. Quanta bondade também a das mulheres, não só fazendo do trabalho a sua sobrevivência como colaborando para a beleza e higiene dos logradouros públicos! É a nossa opinião.
N. Serra, jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado. “Dêem todos graças a Deus por terem podido cruzar com quem cruzaram na mesma estrada, repartindo consolo, esperança, pesar ou silêncio em memória de coisa passadaâ€