Os moradores das proximidades da sede da Transbordo - Transporte e Serviços Ltda., com sede localizada junto aos trilhos da linha férrea da Novoeste, próximo à parte baixa da Vila Falcão, acusam a empresa de provocar, com a movimentação do material que chega pelos trilhos da Novoeste, uma nuvem de poeira negra que suja as casas, irrita os olhos e traz problemas respiratórios. A servidora aposentada Maria Durcília Borges, 66 anos, é uma das que sofrem com os efeitos da suposta nuvem de pó negro.
Moradora na baixada da Vila Falcão há 12 anos, ela chegou a organizar um abaixo-assinado com mais de 300 assinaturas de vizinhos do seu bairro que também se dizem incomodados com a situação. O documento, segundo ela, foi enviado a um vereador da cidade para que providências sejam tomadas. “Em dias secos, a gente tem dificuldades para respirar e os olhos ficam irritados e lacrimejando. Além disso, nem adianta limpar a casa, pois logo está tudo coberto por um pó negroâ€, relata.
Borges também acionou a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), mas o diretor da agência do órgão em Bauru, Rogério Chini, informou que só fará uma vistoria na região quando realmente for avisada da presença da tal poeira. Esta semana, o JC esteve no local em duas oportunidades mas, apesar da movimentação do minério com tratores e caminhões, não conseguiu constatar poeira negra em suspensão.
A aposentada garantiu que isso apenas ocorreu porque a cidade foi atingida recentemente por chuvas, o que acabou umedecendo o material, impedindo a formação das nuvens de poeira. “O grande problema para nós desta região é justamente quando passamos um período mais longo de estiagemâ€, garante.
Outro lado
O proprietário da Transbordo, Jaime Elorza, garantiu ontem que sua empresa já está providenciando o cadastramento ambiental junto à Semma, mas ressaltou que o produto transbordado nas proximidades da Vila Falcão não é poluente e não produz poeira. “Ele (minério de manganês) inclusive é transportado em vagões descobertosâ€, justifica o empresário.
Elorza lembra que sua empresa está instalada naquele local há cerca de seis anos e que, até agora, não enfrentou problemas com relação a questões ambientais. Para ele, a poeira detectada pelos moradores da região é a provocada pela movimentação de caminhões pelo pátio da empresa, que possui grandes áreas de terra sem pavimentação.
A empresa é especializada no procedimento conhecido como transbordo, que é a transferência de carregamentos de um meio de transporte para outro - no caso de Bauru, dos vagões de trem para carretas, que dão prosseguimento ao transporte do material.
A empresa realiza o transbordo do minério de manganês trazido da jazida do Morro do Urucum, em Corumbá (MS), para caminhões que o transportam em direção a Minas Gerais. O manganês é um minério utilizado principalmente na siderurgia, pois é considerado essencial na produção de ferroligas e aço. Também é usado na confecção de pilhas eletrolíticas, cerâmicas, ligas especiais e produtos químicos, entre outros. É parecido com o ferro, entretanto é mais duro e muito quebradiço.