Cabrália Paulista - O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) realizará na próxima semana, em Cabrália Paulista (45 quilômetros a sudoeste de Bauru), uma palestra dirigida aos produtores rurais que estão sendo afetados por ataques de onça parda, capivara e lebre européia.
Existem registros recentes da presença desses animais em Cabrália Paulista, Duartina e, principalmente, Paulistânia. O objetivo da palestra, segundo informou a coordenadora regional do Ibama, Lélia Pinto, é instruir os moradores rurais de como lidar com esses animais sem abatê-los.
O evento está programado para a próxima quarta-feira, dia 8, às 14h, na Escola Técnica Agrícola Estadual Aftor de Mattos Carvalho, em Cabrália. A palestra é aberta a todos os interessados.
Embora, em um primeiro momento, possa parecer uma novidade, a presença de onça parda na região sempre existiu, segundo afirmou Lélia. Ela contou que a geografia da região e as matas ainda preservadas constituem o habitat propício para a manutenção da espécie - considerada em extinção.
Normalmente, as onças se alimentam de outros animais de pequeno e médio porte como bezerro e ovelha. Já a capivara e a lebre européia - bem maior do que a lebre brasileira - alimentam-se de plantas, mais especificamente de plantações de arroz, milho, feijão e outras.
Sem saber ao certo o que fazer para evitar a ação desses animais em suas terras, os proprietários rurais passaram a reclamar junto aos órgão de defesa ambiental dos prejuízos que estão tendo e cobrando uma solução.
Na palestra da próxima quarta-feira, especialistas irão dizer aos fazendeiros, segundo adiantou Lélia, que é possível se prevenir dos ataques sem infringir em crime ambiental.
“A pessoa vai manejar seu gado de tal forma, que ela praticamente vai resolver o problema com as onças, sem precisar abatê-las. A proposta do Ibama é essa - de mostrar formas alternativas de manejo desses animaisâ€, disse Lélia.
A palestra sobre as onças será a primeira. Para falar sobre elas, estará presente um especialista do Centro Especializado de Predadores Naturais (Cenap), órgão ligado ao Ibama.
Segundo estimativas, as onças normalmente ocupam áreas extensas, que variam de 60 a 80 quilômetros quadrados. Como ela anda bastante, sua presença tem sido notada em mais de uma cidade da região.
O tema da segunda palestra será a lebre européia, cujos ataques têm sido mais sentidos em Lucianópolis, segundo contou Lélia. A exemplo do caramujo africano, essa espécie de lebre chegou “clandestinamente†ao Brasil.
“Nós vamos ter que levantar o problema (das lebres) aqui na região para saber direitinho a sua dimensão. Para depois saber que medidas que o Ibama vai sugerirâ€, declarou.
Caça proibida
No Brasil, a caça à lebre é proibida em dois estados: São Paulo e Rio Grande do Norte. A Constituição paulista, segundo Lélia, proíbe a caça a todo e qualquer animal. Ela lembrou que para eliminar parte dos caramujos africanos foi preciso a aprovação de uma lei permitindo a captura desses animais por meio de um plano de manejo.
Quanto às capivaras, já existe um plano de manejo que está sendo aplicado em outras regiões. Caso seja necessário, o Ibama poderá adotar também na região de Bauru.
No Estado, o tormento das capivaras tem sido maior nas regiões de Ribeirão Preto, Piracicaba e São José do Rio Preto. “Nossa região (de Bauru) não é uma das piores em termos de reclamaçãoâ€, declarou ela.
Abater qualquer um desses animais, seja capivara, lebre ou onça, configura crime ambiental e o autor fica sujeito a pagamento de multas. O valor varia de acordo com o animal. Uma onça morta custa R$ 3 mil mais um processo criminal contra seu caçador por se tratar de uma espécie em extinção. O abate de uma capivara ou lebre européia é punido com multa de R$ 500,00.
A presença de onça parda na região é indicador de equilíbrio ambiental, segundo Lélia. “A onça ocupa o topo da cadeia alimentar. Ela se alimenta de outros animais. Então, se a presença delas é efetiva, significa que estão tendo sustentabilidade na região para se manter. Isso indica que o ambiente está equilibrado a ponto de manter uma onça vivaâ€, disse.