A doença do greening, já presente nos pomares do Estado de São Paulo, começa a tirar o sono de produtores. Na microrregião de Bauru não há notificação de casos nos pomares de laranja. Um fato que preocupa o produtor é que não existe nenhuma variedade de copa ou porta-enxerto resistente à doença, também chamada de huanglongbing (HBL).
A primeira constatação do greening nas plantações brasileiras foi em março deste ano, quando alguns citricultores relataram ao Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) a manifestação de sintomas por eles desconhecidos, em várias plantas de pomares em municípios diferentes.
O levantamento por amostragem, realizado em todo o parque citrícola pelo Fundecitrus, confirmou a presença de greening em mais 13 municípios paulistas. No total, agora, são 45 municípios contaminados e, embora esteja ainda concentrada na região central (Araraquara), a doença está também no Norte e no Sul do Estado de São Paulo.
O levantamento foi realizado por 210 inspetores, em mais de 5,1 mil talhões paulistas, cerca de 7% do total.
Provavelmente, o greening é originário da China e hoje afeta seriamente a produção de citros na Ásia e na África. A doença provoca alterações no fruto, que fica deformado e assimétrico. Cortando-se a laranja no sentido longitudinal, é possível verificar internamente filetes alaranjados que partem da região de inserção com o pedúnculo (haste que segura o fruto).
Outra deformação é a parte branca da casca apresentar uma espessura maior do que a normal. Também ocorre redução do tamanho das frutas e intensa queda. É comum a ocorrência de sementes abortadas. O fruto pode apresentar internamente diferença de maturação nas diferentes partes, ou seja, ter um dos lados maduro (amarelo) e o outro ainda verde.
O agente causador da doença é uma bactéria com crescimento limitado ao floema (vasos que distribuem a seiva elaborada), chamada provisoriamente Candidatus Liberibacter spp. Antes da constatação no Brasil, existiam duas formas de bactérias causadoras do greening: Candidatus Liberibacter africanus, associado à forma africana da doença, e Candidatus Liberibacter asiaticus, associada à forma asiática.
Os pesquisadores propõem que a nova forma de greening seja chamada de forma americana e seja atribuída à bactéria Candidatus Liberibacter americanus. A transmissão das formas africana e asiática ocorre por vetores, que são duas espécies de psilídeos: Trioza erytreae, que ocorre na África; e Diaphorina citri, que é encontrada na Ásia, África e também nas Américas.
O professor da Unesp e engenheiro agrônomo especialista em fruticultura, Aloisio Costa Sampaio, alerta para que os citricultores busquem tecnologia para preservar o “isolamento†da microrregião de Bauru de pragas e doenças. Sampaio sugere que as mudas sejam adquiridas de viveiros certificados, e uma nova forma de porta-enxerto para prevenir a morte súbita do citros (MSC), que ainda não atinge os pomares da região.
Ele comenta que os produtores com maior acesso à tecnologia formam suas plantações com limão cravo e uma subenxertia com tangerina. Ele explica que o limão cravo é resistente à seca, porém suscetível à morte súbita do citros (MSC). A tangerina é tolerante à MSC e sua utilização evitaria a instalação desta doença caso ocorra nos próximos anos.
O cancro cítrico também é outra ameaça e que, conforme Sampaio, só pode ser combatido com o cuidado da procedência das mudas. Além disso, a higienização deve ser feita com um arco pulverizador na entrada das propriedades para a desinfecção de veículos com amônia quaternária ou hipoclorito.