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São Carlos reúne mais de 4 mil motociclistas

Por Luciana de Andrade | Jornal São Carlos News
| Tempo de leitura: 4 min

Faça sol ou faça chuva! Assim diz a frase e os motociclistas fizeram jus ao famoso ditado. Isso porque São Carlos foi o palco, entre os dias 26 a 28 do mês passado, do 2° Encontro de Motociclistas de São Carlos, que reuniu 109 motoclubes e mais de 4 mil motociclistas de todo o Brasil.

A sede da Abasc, localizada na rodovia Thales Peixoto Junior (estrada para Ribeirão Preto), foi, pelo segundo ano consecutivo, a sede do evento, organizado pelos motoclubes Motomorfose e Leões do Asfalto, ambos são-carlenses e aniversariantes em novembro, e que também efetuou a arrecadação de alimentos, através da campanha “Duas Rodas contra Fome”, para serem doados a entidades filantrópicas da cidade.

Além do churrasco realizado na sexta-feira, 26, para todos os motociclistas, o evento promoveu também os shows covers do Guns n’ Roses e Raul Seixas, no sábado à noite, além das bandas locais, que agitaram o público durante a tarde. Na sede, destaque para os estandes de acessórios e souvenirs, a praça de alimentação e a área para camping.

Sobre o encontro, o presidente do Motomorfose, Amarildo José Semensato, comenta que a edição 2004 superou as expectativas. “Acho que o primeiro foi essencial para o sucesso desse ano. Por isso, acredito que é preciso ter muito cuidado quando se organiza um evento como esse, pois se você falhar o pessoal não vem no ano seguinte”, frisa.

Semensato também atribui o sucesso do encontro à adesão de todos os participantes à campanha “Zoeira tô Fora” que teve por objetivo desmitificar a idéia de que os motociclistas são baderneiros ou que gostam de fazer barulho com as motos. “Não gostamos de bagunça. Nossas reuniões são para a confraternização das irmandades. Então, quando realizamos eventos assim, não deixamos ninguém fazer bagunça ou arruaça. Prova disso é que muitos trouxeram suas famílias”, diz.

Quem também foi ao encontro não poupou elogios. Caso de Paulo Toledo, motociclista há mais de 20 anos que levou seu filho, Vinícius, 10 anos, com sua “motinho” que pilota desde os 8. Natural de Bebedouro (SP), Toledo tem um triciclo e trouxe a moto do “filhão”, uma Kawazaki Ninja 50 cilindradas, em uma carreta acoplada atrás de seu veículo.

Para o motociclista, o envolvimento de seu filho é algo muito positivo e ele torce para que o filho abrace a idéia de liderar o motoclube “Garoto Estradeiro” - criado por Toledo - quando estiver mais velho. “Acho melhor vê-lo em um motoclube do que envolvido com drogas”, diz. E, se depender da animação do garoto, o “paizão” pode ficar despreocupado. Perguntado sobre o que mais gostava nas motos, o jovem motociclista foi breve, mas preciso. “Tudo”, enfatiza.

Já Fábio Sabino Figueiredo, ou “Crocodilo”, prefere participar dos eventos por conta própria e não costuma perder nenhum. Por isso, “Crododilo” também é considerado um “irmão” por compartilhar da mesma paixão de todos - moto e estrada. “Não digo que nunca vou participar de um motoclube, porque nunca se sabe”, diz.

A 'mulherada'

Na contramão do senso comum, as mulheres também compareceram em peso ao encontro de São Carlos. Umas sozinhas, outras acompanhadas, mas com uma paixão em comum: as máquinas de duas rodas.

Waldecir, de Limeira, participa do encontros junto com seu marido e seu motoclube reúne apenas casais. “Na estrada estou livre, posso sentir total liberdade de espírito. Quando venho nesses encontros, sinto uma energia muito forte, principalmente pelo clima de companheirismo”, diz.

Ela conta, ainda, que antes de participar de um motoclube tinha uma imagem distorcida dos motociclistas, mas hoje, tanto ela quanto seu marido aprenderam muito e descobriram que as atividades são sérias. “Meu marido tinha um sonho de comprar uma moto e não sabíamos o que fazer com ela. Resolvemos participar de um encontro e me apaixonei de cara”, revela. E acrescenta: “Me sinto livre para ser quem sou quando estou com seus amigos motociclistas.”

A exemplo de Waldecir, Eliana, de Araraquara (SP), é outra que veio a São Carlos em companhia do “maridão”. Como ela conta, na medida do possível ambos procuram não perder um só encontro. Entretanto, ainda preferem viajar sozinhos e curtirem a estrada a dois.

Como Eliana é psicóloga da Febem e seu marido é agente de segurança em penitenciária, viajar de moto para o casal é uma importante maneira de distração e de entretenimento. “Primeiro a obrigação, depois a diversão”, comenta Eliana com humor. Os três filhos do casal também incentivam o envolvimento dos pais. Segundo Eliana, quando há uma viagem, as tarefas são divididas: enquanto o esposo cuida da moto, ela organiza a programação e providencia os acessórios. â€œÉ um hobby e o clima de companheirismo é a grande vantagem. A cada novo encontro também conhecemos outros casais e isso é muito bom”, finaliza Eliana.

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