A história se repete toda vez que a cidade troca de prefeito. Os servidores públicos municipais entram em clima de expectativa e aguardam tratamento diferenciado pelo novo comando que assumirá os destinos da cidade pelos próximos quatro anos. A questão salarial é a que mais incomoda a categoria.
O desenhista Adelmo Bertussi, 75 anos, dos quais 40 na prefeitura, compara o início de sua carreira com os tempos de hoje. “Melhorou muito. No passado, o regime na prefeitura era meio militar: trabalhava-se muito, sábado, domingo, sem direito a nadaâ€, lembra.
Na avaliação dele, houve avanço na relação da prefeitura com seus funcionários. “Naquela época era duro. Não havia grade salarial. O salário era de acordo com a vontade do chefe. Hoje, já temos grade. Mas gostaria de ver esses jovens de início de carreira ganhando mais do que ganham hojeâ€, reivindica.
Seu colega de prefeitura, Delmar Baptista dos Santos, 69 anos, dos quais 52 na administração, reforça a avaliação. “Além da questão salarial, o novo prefeito terá que investir em material humano. Hoje, há um grande número de funcionários, mas falta pessoal qualificadoâ€, opina.
De uma forma mais ampliada, o operador de máquinas Pedro José da Silva, que está completando 14 anos de funcionalismo público municipal, nutre a expectativa de que o novo prefeito da cidade vai atuar em todas as frentes para atender as demandas da categoria.
“Acho que podemos esperar melhores salários, melhores equipamentos e atendimento na manutenção das máquinasâ€, lista. Na véspera do período das chuvas, o servidor alerta que o município também vai precisar de uma frota renovada para dar vazão diária às centenas de pedidos encaminhados por parte da população.
Para Silva, é equivocada a opinião da população, que vê no servidor uma categoria que não gosta de trabalhar. “Não é essa a realidade. Nós trabalhamos como qualquer outra pessoa. Ás vezes sou obrigado a escutar que servidor público é vagabundoâ€, diz, revoltado.
Seu colega do Departamento de Apoio Operacional (DAO), Marco Alves Dias, diretor da Divisão de Comboio, também critica o destrato que a categoria sofre de uma parte da opinião pública. “No setor privado também há vagabundos. Eu tenho muito orgulho de ser servidor público municipalâ€, afirma.
Na avaliação do secretário municipal de Administração, Éverson Demarchi, o que a população não entende é que a administração pública tem que cumprir rituais burocráticos para se adequar à legislação.
“Na iniciativa privada, se faz cotações para adquirir as coisas. Na pública, é preciso fazer licitação, cumprir prazos e recursosâ€, explica. Para ele, o novo prefeito deve rever a legislação de pessoal e a política salarial.