Minha atitude causou estranheza, professor Rodolpho? Mais estranheza causou-me saber que um país como o nosso, carente, endividado, injusto socialmente, onde milhares de professores sobrevivem com salário mínimo e até menos, onde vemos pelas reportagens escolas mal cuidadas, falta de material escolar, uniformes etc... Notícia que diz: “Sobra de $1 milhão†no Fundef. Não é de estranhar?
Professor, me esclareça:
1.º - Por que será que (na reportagem de 10/11) até o Sinserm questiona a aplicação da verba, alegando ter até reclamações de falta de papel higiênico.
2.º - Por que este projeto está sendo enviado à Câmara em caráter de urgência? Será que é para não dar margem à discussão?
3.º - Se o Fundef existe há 9 anos e o nosso prefeito está há 7 anos no mandato, nunca houve sobra? Se houve, o que foi feito?
4.º - Se este abono é justo, por que o rateio não é feito igualmente entre todos os servidores da educação, inclusive para os aposentados, ao invés de privilegiar alguns?
5.º - Não seria mais justo, porém, devolver esta sobra, para que seja aplicada onde há falta?
6.º - Por que estranheza na minha dúvida? Se a própria secretária municipal de Educação, Solange Reis, afirma (reportagem de 11/10): “Sobrou verba neste ano porque foi gasto menos em capacitaçãoâ€.
Sobra para mim, neste caso, tem duas explicações, ou superdimensionado ou não uso adequado, concorda, professor?
Pois é, como vê tenho dúvidas, que como eu outros as terão antes de aprovarem este rateio, afinal, sobrar dinheiro?
Finalizando, quero dizer, porém, que concordo plenamente com o professor Solon Borges dos Reis: “Não há dinheiro que pague o trabalho do professor, mas o trabalho do professor precisa ser pago em dinheiro, e bem pagoâ€.
Por isto defendo um salário justo e digno e não abono com sobras, onde alguns irão receber muito e outros pouco, veja professor, o que receberam no início do ano, uns R$ 7.000,00, outros R$ 500,00, outros, nada.
E se tivéssemos gasto mais em capacitação, não haveria abono, certo?
(Gennarino Calabrese - RG 4.926.097)