Tribuna do Leitor

O TREM FANTASMA E CIDADE DE BAURU


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Acho que, do ponto de vista urbano, nada em Bauru é mais deprimente que o vazio que a ferrovia produziu bem no coração da cidade. Quem passa pelas avenidas Pedro de Toledo, Rodrigues Alves e Nuno de Assis não consegue entender como uma área tão grande não é aproveitada para nada. Recentemente, foi anunciada em Bauru, pelo Ministro dos Transportes, a revitalização das ferrovias no Brasil. A medida visa combater os reflexos da política desestatizadora dos últimos anos, que atingiu diversos setores e que se iniciou com o programa privatizações do governo federal. Ocorre que naquela oportunidade, salvo engano, nenhuma autoridade pública municipal aventou a possibilidade de, com recursos federais, desviarmos as linhas férreas para fora do centro da cidade. A justificativa que sempre advoguei é simples: “Se não existe mais transporte ferroviário de passageiros, não existe mais fundamento para que o transporte de carga continue atravancando o progresso da cidade”. Hoje o centro da cidade não se desenvolve porque está limitado pelos trilhos da ferrovia. Assim, todo o trânsito da cidade continua caótico, pois só temos três viadutos que passam sobre os trilhos velhos e abandonados. A Bela Vista, a Vila Falcão, a Vila Independência e os outros bairros que fazem divisa com a linha férrea não se desenvolvem, pois não existe uma comunicação decente ligando aqueles bairros ao resto da cidade. Os prejuízos para Bauru são gigantescos, mas ainda são menores que o saudosismo de alguns, que viveram uma época em que a cidade crescia ao longo dos trilhos - coisas do início do século passado - e que insistem em continuar a impor esse fato a quem não tem nada a ver com isso. Assim, o desvio da linha férrea poderia transformar o antigo pátio da ferrovia em um grande entroncamento rodoviário, que ligaria as avenidas Rodrigues Alves (que poderia prosseguir até a Vila Dutra e Nova Esperança) e Nuno de Assis (que poderia chegar até a Rodovia Bauru - Ipaussu). Poderíamos, até mesmo, abandonar as obras dos viadutos inacabados, trocando as dívidas desses no ato de negociação com a União. Os imóveis pertencentes à ferrovia poderiam abrigar uma série de prédios públicos, tais como: a prefeitura, teatros, centros de lazer e cultura, um museu ferroviário e aeronáutico, etc. Não se trata de acabar com o transporte ferroviário, mas de proporcionar um redirecionamento no desenvolvimento da cidade e, porque não dizer, da própria ferrovia, que poderia ser desviada em direção ao novo aeroporto e das rodovias que passam pela cidade. Entendo que somente dessa forma, com uma obra arrojada, que pode ser financiada pelo Programa de Revitalização das Ferrovias - leia-se verbas federais - poderemos levantar Bauru e o ânimo dos bauruenses, tão abalados por culpa daqueles que administram nossa cidade. (José Roberto Anselmo - procurador jurídico municipal. OAB 112.996)

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