Regional

Melancia produzida em P. Alves usa protetor solar

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Cultivar melancia, uma fruta de forma arredondada com 80% de água, envolve vários segredinhos.

A melancia cultivada em Presidente Alves envolve técnicas pouco utilizadas pelos produtores. Uma delas é o uso do "protetor solar" para evitar a queima do fruto.

O fruto queimado não tem valor de mercado, explica o produtor Valmir Martinez Jandotti, que nesta safra pretende colher 2.500 toneladas. “A melancia que apresenta sinais de queimada na casca não tem comércio. Embora ela esteja boa por dentro, o consumidor não compra.”

O protetor solar, uma substância aplicada depois de ser dissolvida em água, bloqueia os raios solares, explica Jandotti. “Quando faltam cerca de dez dias para a colheita, perto dela amadurecer, qualquer solzinho queima, por isso utilizamos esta técnica. A aplicação é feita fruto por fruto.”

Para que o fruto se desenvolva satisfatoriamente, é necessário que não falte água, avisa o produtor. “A melancia é composta de 80% de água. Quando o fruto atinge um peso de cerca de meio quilo, sinal de que está em franco desenvolvimento, não pode faltar água. Sem água ela não se desenvolve, por isso torcemos para que nesse período chova.”

Porém, se a chuva for intensa perto da época de colher, também prejudica a produção. “A chuva forte tira o protetor solar e nova aplicação tem de ser feita. Isso implica em mais gastos de produto e mão-de-obra.”

Para suprir a falta de água, o produtor usa a irrigação. “Uso uma média de 250 mil litros de água por hora e trabalho 24 horas, sem parar. Se faltar água ela não se desenvolve, entorta toda e a lavoura está perdida."

Terra excelente

A região de Bauru é excelente para o cultivo de melancia, diz Jandotti. Segundo ele, a terra e o clima são fatores que contribuem para que o fruto conquiste bom valor no mercado nacional e até internacional. “Estou saindo de Rinópolis, a 200 quilômetros de Presidente Alves, para vir plantar aqui. Lá temos muitas doenças e pragas que atacam a plantação. Percebo que aqui até a folha da melancia tem um verde intenso. Na plantação de Rinópolis, nessa época, as folhas já estão secando.”

A colheita das melancias, de acordo com o produtor, acontece de setembro a dezembro, na nossa região. “De dezembro a março a colheita é as safra dos estados do Sul. De março a maio temos a safrinha daqui.”

A diferença entre a melancia colhida na safra e na safrinha, observa ele, é que no final do ano o clima é seco, fator que auxilia o produto. “ A melancia colhida na safra é mais fácil de cultivar, não tem doença. A da safrinha, como o clima é mais úmido e as noites serenam mais a plantação tem mais umidade e a proliferação de doenças é maior. É mais arriscado plantar para a safrinha.”

Segredos do cultivo

Um pé de melancia dá dois ou três frutos. Para conseguir isso, é necessário que o produtor corte o primeiro fruto que brota da rama mestre. O fruto da rama mestre, ensina, é grande demais e não tem qualidade. “A melancia cresce muito, mas fica uma só. Ela não tem qualidade.”

Essas técnicas fazem com que a melancia produzida em Presidente Alves viage o Brasil todo e atravesse fronteiras. “Distribuímos no Ceasa de Bauru, São Paulo e Rio de Janeiro, para o Brasil inteiro. Além do mercado interno, as melancias chegam na Argentina e Uruguai.”

Em Presidente Alves estão plantadas três tipos de melancia: a eureka, a taidi e rubi. A taidi é rajada, e mais comprida. A eureka é mais arredondada e tem uma massa sem partes ocas. A rubi é rajada, da casca branca.

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