Tenho um cliente bastante ansioso na área de confecção que exporta para mais de 30 países. Recentemente, perguntei a ele qual era a razão de querer crescer tanto sua organização, em tão curto espaço de tempo, considerando que não é exigência do mercado. Ele olhou firmemente em meus olhos e respondeu que não sabia exatamente o motivo. Disse que nunca havia sido antes questionado nesse sentido. Achou pertinente a pergunta, pois não agüentava mais viajar e ficar longe da família. Ficou de pensar e me dar um retorno.
Por outro lado, tenho um outro cliente bastante calmo da área gráfica que afirma ter encontrado o tamanho exato para sua organização. Segundo ele, isto não implica em acomodação, muito pelo contrário. Diz ele: “Não quero crescer, quero melhorar.â€
Comenta que percebeu a importância da existência da concorrência quando visitou pela primeira vez uma fábrica de papel e ficou assustado com o volume produzido. Foi aí que percebeu que não daria conta daquilo tudo.
Ele considera cada cliente como um filho, e afirma que “se você tem muitos, acaba descuidando de algum deles. Perde o controle e com o tempo vêm as conseqüências.â€
Desses dois empresários, quem está mais certo? Alguns estudiosos dos fenômenos sociais (no exemplo, a empresa) com o organismo individual (ser humano), em dois traços essenciais :
• No crescimento
• No caso de tornar-se mais complexo à medida em que cresce.
Considerando que a complexidade leva à decadência, segundo filosofias orientais, ao crescer não se pode descuidar um segundo sequer.
O protagonista do reality show “O aprendizâ€, americano Donald Trump, bem sucedido empresário, recentemente pediu concordata para sua rede de hotéis e cassinos. Esses mesmos cassinos enfrentaram situação semelhante no início dos anos 90. Dá a impressão de que, de tempo em tempo, ele se enrola. Não é fácil controlar.
Para crescer, exige-se capacidade de administrar gargalos em tempo hábil. Outro dia filmei funcionários em pleno trabalho em uma empresa ansiosa e agitada, que cresceu rapidamente. Ao rever a fita, percebi que pareciam estar em um hospital psiquiátrico.
Mas qual é o tamanho ideal de uma organização? Que eu saiba, até o prezado momento não existem cálculos acadêmicos que respondam a esta pergunta. São muitas variáveis. De forma resumida, depende do mercado em que a empresa está inserida, bem como de lucro satisfatório para haver investimentos para mantê-la com saúde, competitiva e benefícios motivacionais para as pessoas envolvidas.
Mas geralmente, a ambição, a vaidade e o egoísmo atrapalham a possibilidade de um crescimento sustentável e equilibrado, bem como da definição empírica do tamanho ideal. O que se vê normalmente são empresários obcecados por crescimento, traçando metas malucas.
Com isso, perdem a saúde física e mental, que são as riquezas principais, destroem famílias e se afastam de amigos. Falta tempo para viver.
Muitos acreditam que softwares poderosos amenizam o problema do crescimento, mas ignoram que são pessoas que atravancam os processos.
Tem-se que pensar grande, mas com equilíbrio. Aprender a discernir o caminho a ser tomado não é uma simples questão de ter informações, mas de relacioná-las com muito bom senso. O bom senso vem do balanço equilibrado entre o coração e a mente.
Pense nisso!
Sugestão de melhoria
Não exija demais dos outros! Respeite os limites do próximo, da mesma forma que deseja que os seus limites sejam respeitados!
Davison de Lucas - diretor da M. Davison & Associados, consultor empresarial e palestrante.
www.mdavison.com.br