Por um momento a gente se acha os seres mais esquisitos e uma pergunta insiste em vir a nossa cabeça: “Será que é só comigo?â€. Quem está entre os nove e 13 anos e já se sentiu, ou se sente assim, pode ficar tranqüilo. Isso é um ótimo sinal. Sinal de que você está crescendo.
“Cresceram pêlos, meus seios e apareceram espinhas. Eu assustei um poucoâ€, contam as amigas Rafaela Borges, 10 anos, e Ana Paula Bridi, 11 anos.
É isso mesmo o que acontece. Em geral, é o corpo que avisa que estamos mudando. Nascem mais pêlos, os garotos crescem de uma hora para outra e a voz começa a mudar. Nas meninas, as mamas aumentam e vem a menstruação, uma visitinha mensal que pode assustar um pouco na primeira vez. Todas essas mudanças fazem parte da puberdade, fase em que caminhamos da infância para a adolescência.
Susto é normal
Por mais que a gente esteja preparado para essas mudanças, é muito comum assustar quando elas começam. “Quando menstruei, fiquei bastante assustada e chorei na horaâ€, conta Débora Constantino, 12 anos.
â€œÉ uma coisa nova. Mas depois que você sabe que vai acontecer com todo mundo acostumaâ€, explica Larissa Maiara da Silva Alves, 13 anos.
A tendência é essa, com o tempo se acostumar e aceitar as novas características. Isso vale para meninas e meninos.
Não pára por aí
Além das mudanças físicas, o jeito de pensar e de agir fica diferente também. A psicóloga Marly Godoy explica que é comum ficar mais impulsivo, questionador, vaidoso e sentir vergonha de si mesmo às vezes. O pensamento fica mais rápido, lógico e os interesses mudam. “Boneca não, agora gosto de ir ao shopping, ao clube, Internet...â€, diz Larissa.
E como bem lembra o Victor Souza Marques, 10 anos: “Começa a sentir mais interesse pelas meninas e pelos meninosâ€.
Cada um no seu tempo
Quando o assunto é puberdade, não dá para dizer com certeza quando ela começa nem quando termina. Normalmente, nas meninas pode acontecer entre nove e 14 anos. Já nos meninos é entre 11 e 15 anos. Algumas mudanças podem aparecer mais cedo para uns ou mais rapidamente para outros.
Apesar das diferenças, duas dicas têm que valer para todo mundo: nada de ficar se comparando ao amigos toda hora, nem guardar as dúvidas.
A vergonha de falar sobre isso é normal, mas não pode deixar que atrapalhe demais. “Eu pergunto para meu professorâ€, diz Rui Vitor Godoi, 13 anos. Assim como Rui, é importante procurar alguém em quem você confie para esclarecer suas dúvidas e medos. Pode ser o pai, a mãe ou parentes mais velhos.
Calma
O corpo fica a mil por hora nessa fase. Os meninos crescem tão rápido que acham que os pés ficam maiores do que eles mesmos. Algumas meninas tentam esconder os seios e custam um pouco a se acostumar com acessórios novos como sutiã e absorvente.
Em meio a tantas novidades, vale lembrar a dica da psicóloga Marly: “Isso tudo não é um problema. É um período de adaptação. Acontece com todo mundo e é naturalâ€.
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Dicas de livros
• O que está acontecendo comigo?
Arthur Robins, Paul Walter e Peter Mayle (editora Nobel)
• Rita está crescendo
Telma Guimarães M. de Castro Andrade (Atual Editora)
• O diário (nem sempre) secreto de Pedro
Telma Guimarães M. de Castro Andrade (Atual Editora)
• Papai, mamãe e eu
Marta Suplicy (editora FTD)
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Para os pais
A compreensão e participação dos pais são fundamentais nesse processo. Abaixo vão algumas orientações de especialistas:
• Diálogo sempre. Procure orientar o seu filho, dê segurança e, assim que ele demonstrar interesse, pode conversar sobre sexo.
• Acompanhe as mudanças. Se achar que estão rápidas e intensas demais ou que estão demorando, procure a orientação de especialistas.
• Esteja sempre em contato com a escola.
• Meninos e meninas têm os mesmos direitos e deveres. Saiba colocar limites.