Três engenheiros da loja Pernambucanas e um representante de uma empresa de São Paulo foram indiciados por homicídio culposo (sem intenção de matar) e lesão corporal por causa da queda de um painel publicitário em junho deste ano em Bauru. O acidente matou uma mulher, provocou ferimentos num casal e deixou várias pessoas em estado de choque.
Na época, o delegado do 3.º Distrito Policial (DP), Elias Bueno, instaurou um inquérito, concluído ontem. O documento será encaminhado hoje ao Fórum. “Encerrei a fase policial. O juiz vai abrir vistas para o Ministério Público, que pode denunciar (os quatro) ou solicitar o arquivamento (do caso)”, explica o delegado.
De acordo com ele, a conclusão do trabalho foi precedida pelo depoimento das vítimas, testemunhas e dos engenheiros, ouvidos via carta precatória (instrumento usado para tomar depoimento de pessoas que residem em cidades distantes de onde o fato ocorreu).
Durante o processo, Bueno questionou a razão pela qual a bandeira da loja era sustentada somente por dois parafusos que transfixavam a parede. Um laudo da Polícia Científica apontou que eles eram insuficientes para suportar o peso da peça, 600 quilos.
O delegado também quis saber se o tijolo usado na parede onde o painel estava afixado, do tipo baiano, é o indicado para sustentar esse tipo de bandeira, que media aproximadamente seis metros de cumprimento e tinha 1,2 metro de largura.
Após o acidente, a loja retirou um segundo painel. O que caiu estava afixado a uma altura de cerca de dez metros do solo. Quando desabou, ele atingiu a merendeira Helena Maria Bíscoli da Silva, 52 anos, que passava ao lado da loja, situada na quadra 5 do Calçadão da Batista de Carvalho, no Centro.
Com o peso da bandeira publicitária, ela sofreu traumatismo craniano e morreu na hora. Na época, a Pernambucanas emitiu nota à imprensa lamentando o ocorrido e informando que em 95 anos de atividade em todo o Brasil foi a primeira vez que registrou ocorrência desta natureza.
Ontem à noite o JC tentou contato com o departamento jurídico da loja, mas não encontrou quem pudesse comentar o caso. Também não foi localizado o representantes legal da empresa paulistana que fabricou e instalou o painel.