A análise social até então verdadeira de que cadeia no Brasil é pra preto, pobre e prostituta aos poucos vai se desconfigurando. Isto graças à Polícia Federal, que de janeiro de 2003 a novembro de 2004 realizou 38 operações, que resultaram em 636 prisões, incluindo servidores públicos desonestos, ricos ladrões, policiais corruptos e políticos improbos. Esses dados revelados nos apontam que uma das principais causas da injustiça social no nosso país é a corrupção e a patifaria administrativa praticada pela turma do andar de cima e seus insensíveis asseclas nos órgãos públicos. Calcula-se que estes bandidos (muitos apareciam nas colunas sociais) tenham dado prejuízo de bilhões de reais ao Brasil.
No entanto, foi só o Ministério Público e a Polícia Federal começarem a prender os bacanas que começaram a surgir na sociedade algumas vozes hipócritas acusando as operações de excessos e ilegalidades. Também criticam o arrombamento de portas e a vocação, segundo eles, cinematográfica para os jornais e a TV. O advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, afirma que a exibição de uma prisão pela mídia é pena inexistente na lei. Também fala que há arbítrios e possível violência. Já o advogado Luís Fernando Pacheco, ex-sócio de Márcio Thomaz Bastos, enxerga as operações da Polícia Federal “quase como fascista”, afirmou na Imprensa. Aliás, ele é o defensor do chinês gente boa Law Kin Chong, considerado o maior contrabandistas do Brasil. E o juiz aposentado Walter Maierovitch também condenou na Imprensa o “uso abusivo e inconstitucional de algemas” nas operações da Polícia Federal.
Bem, a procuradora da República, sra. Janice Ascari, comandante da operação Anaconda, foi feliz e racional ao dizer que o Ministério Público acompanha todas as operações da Polícia Federal e essas investigações, apreensões e prisões possuem o mandado judicial. E analisa essas críticas como inconformismo de setores que não aceitam punição ou prisão para pessoas de nível social mais elevado.
Por Júpiter! Nunca vi estes doutores ou representantes da casa grande criticarem as operações policiais feitas em bairros periféricos e nas favelas aonde arrombamento de portas, algemas, prisões sem mandado judicial para averiguação, acompanhamentos das equipes de jornalismo policial e desrespeito aos direitos do cidadão, tornaram uma constante no nosso cotidiano. Não estou defendendo a criminalidade dos pobres, mas muitos inocentes nestas ações policiais na periferia são humilhados e nem sabem a quem recorrer.
Parto da premissa de que as pessoas de nível social mais elevado e com instrução educacional deveriam ter o dobro da pena dos criminosos pobres. Até porque momentaneamente tornou-se uma piada afirmar que no Brasil “todos são iguais perante a lei”.
Eu sou contra, mas gostaria que os defensores da pena de morte incluíssem nas suas reivindicações os ladrões do colarinho branco. Eles não matam com as próprias mãos, conforme fazem os criminosos comuns, porém, o desvio público praticado por eles matam por tabela milhares de pessoas que ficam sem a assistência emergencial do Estado. A Justiça de verdade agradece a Polícia Federal. Não temem; o povo honesto agradece.
PS - A irracionalidade venceu mais uma vez. O desenho animado de TV “O Pink e o Cérebro”, que trazia informações políticas, históricas e científicas para a criançada, não está passando mais. Tudo que é bom neste país dura pouco. Agora só na TV paga, aonde a maioria da população não tem acesso.
Pedro Valentim - RG 19.198.011-0