Cultura

Tributo ao maestro

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

Qualidade musical e Tom Jobim formaram uma das rimas mais perfeitas do século 20. Isso porque o maestro, cantor, compositor, pianista e violonista é autor de grandes clássicos nacionais. Entre eles “Chega de Saudade” (1958), “Garota de Ipanema” (1962), “Samba do Avião” (1963), “Águas de Março” e Lígia” (ambos de 1970), “Luiza” (1987) e “Anos Dourados” (1988).

Os dez anos de morte de Tom prometem ser comemorados em grande estilo hoje. A cantora carioca Claudia Telles faz show em homenagem ao músico às 21h30, na área de convivência do Serviço Social do Comércio (Sesc). A apresentação será pautada pela sensibilidade sempre destacada nas poesias de Tom, cuja melodia e sonoridade vocal se transformaram em características únicas de sua carreira.

Nascido Antonio Carlos Jobim em 1927 no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, foi criado em Ipanema, onde começou a tocar nos bailes da década de 50. Dois anos mais tarde, foi contratado como arranjador pela gravadora Continental e, nessa época, passou a escrever suas primeiras composições.

Tom estreou com a canção “Incerteza”. Em seguida lançou, em parceria com Billy Branco, “Tereza da Praia”, que foi gravada por Lúcio Alves e Dick Farney em 1954. Em 1956, musicou a peça “Orfeu da Conceição” com Vinicius de Moraes. Com ele, firmou uma importante parceria, gravando pérolas como “Se Todos Fossem Iguais a Você”, o disco “Canção do Amor Demais”.

No final da década de 50, se destacou como um dos precursores da bossa nova. A primeira música do gênero, “Chega de Saudade”, foi gravada no formato 78 rotações por minuto (rpm). Em 1965, criou sua própria gravadora, a Corcovado Music. Na mesma época, começou a fazer sucesso no Exterior, produzindo alguns álbuns em inglês. Entre eles, “The Composer Of ‘Desafinado’ Plays” e “Wave”.

Sempre buscando aprimorar-se como músico, nos anos 70 Tom se dedicou ao estudo de elementos tipicamente brasileiros, misturando influências da música erudita de Villa-Lobos e Debussy. Tom lançou, nesse período, os CDs “Matita Perê” e “Urubu”, além de parcerias com outros artistas, que resultaram nos discos “Elis e Tom” (1974) - relançado recentemente -, “Miúcha e Tom” e “Edu e Tom”.

Em 1987, Tom lançou o disco “Passarim”. Seu último álbum, “Antônio Brasileiro”, foi gravado em 1994, pouco antes de sua morte, ocorrida em dezembro, nos Estados Unidos.

Repertório

O show de hoje será baseado no CD “Tributo a Tom Jobim”, lançado recentemente por Claudia Telles, que traz composições de várias épocas da vida de Tom. Assim, não podem faltar os sucessos “Desafinado”, “Fotografia”, “O Grande Amor”, “Brigas Nunca Mais”, “É Preciso Dizer Adeus”, “Meditação”, “Samba de Uma Nota Só” e “O Nosso Amor”.

Filha de uma das precursoras da bossa nova, a cantora Sylvinha Telles, a carioca Claudia Telles iniciou sua carreira fazendo coro para artistas famosos como Fevers, Roberto Carlos, José Augusto, Gilberto Gil, Jerry Adriani, Jorge Ben, Belchior, Simone, Rita Lee e Fafá de Belém.

Despontou no meio artístico em 1976 com as músicas “Fim de Tarde” e “Eu Preciso Te Esquecer”, liderando as paradas com uma pitada soul. No fim dos anos 70 gravou alguns compactos e três LP’s.

Claudia lançou também um CD com músicas de Cartola e Nelson Cavaquinho direcionando sua carreira para o melhor da música brasileira. Na mesma linha foi também o CD “Por Causa de Você”, lançado em 1997, com repertório de bossa nova, no qual faz duetos com gravações da década de 50 de Sylvinha Telles. Em 2000, cantou pérolas de Vinicius de Moraes com o CD “Chega de Saudade”, e em 2002 gravou o disco “Sambas e Bossas”.

• Serviço

Show de Claudia Telles em homenagem a Tom Jobim. Hoje, às 21h30, na área de convivência do Sesc. Os ingressos custam R$ 6,00 e R$ 3,00 (matriculados, estudantes com comprovante e maiores de 60 anos). Dados fornecidos pela assessoria de imprensa do clube. Avenida Aureliano Cardia, 6-71. Mais informações: (14) 3235-1750.

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