Política

Telhado de estação cai em Tibiriçá

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Um forte estrondo ouvido na manhã de ontem por moradores do Distrito de Tibiriçá foi o aviso de que uma parte da história do pacato patrimônio havia ruido. Por volta das 10h da manhã, o barulho colocou as pessoas para fora de casa. Quem mora perto da estação ferroviária da antiga Noroeste do Brasil (NOB), desativada há dez anos, teve o privilégio de encarar o triste cenário: parte do telhado do prédio desabou.

Entre os escombros, desaparece uma parte da história da ferrovia que completará seu centenário no ano que vem. Embora sem vítimas, o incidente demonstra o descaso do governo com o patrimônio público não operacional que restou da privatização da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), responsável pela guarda e manutenção dos prédios rejeitados pelas operadoras privadas.

De um total de 40 metros de telhado, 18 vieram abaixo. Uma parte do madeiramento que dava sustentação as telhas está dependurado e pode cair a qualquer momento. A claridade que invadiu a estação expôs rachaduras e infiltrações nas paredes que praticamente condenam o histórico prédio, símbolo de um patrimônio visitado em 1906 pelo então presidente do Estado de São Paulo, Jorge Tibiriçá, cujo sobrenome emprestou à estação.

Para os ferroviários aposentados Moisés de Almeida e José Dantas, a palavra descaso é a que melhor define a situação. “Ainda bem que não houve uma tragédia aqui”, diz Almeida, apontando a entrada da estação, que serve como ponto de passagem entre um lado e o outro do distrito.

Para ele, o desabamento do resto do prédio é apenas uma questão de tempo. “Eu só tenho a lamentar. Trabalhei aqui como manobrador por 17 anos. Na época dos trens de passageiros, a bilheteria vendia mais de 60 passagens”, relembra, com voz saudosista.

Dantas, que trabalhava na limpeza dos trens de passageiros, pede providências. “Do jeito que está, não pode ficar. Alguém terá que tomar uma atitude”, cobra.

O coordenador do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, Roque Ferreira, observa que o incidente deve servir de alerta para a mesma situação pela qual passa a estação ferroviária de Bauru, localizada na praça Machado de Mello.

“O prédio da estação central da NOB continua abandonado, se deteriorando e colocando em risco a população, principalmente suas marquises que estão sofrendo com a ação do tempo. A responsabilidade pelo imóvel, que está penhorado como garantia de pagamento de dívida de natureza trabalhista, é da RFFSA, pois o grupo Marca, que havia assinado protocolo de compra, não concretizou o negócio, mesmo o sindicato tendo criado todas as condições para a realização do empreendimento, que com certeza seria uma conquista para a cidade”, analisa.

O dirigente sindical não faz boas previsões para o sofrido patrimônio ferroviário abandonado ao longo dos 1,3 mil quilômetros que separam Bauru de Corumbá, no Mato Grosso do Sul. “O governo Lula continua insistindo na liquidação da Rede Ferroviária Federal. Infelizmente, esse mesmo governo insiste em manter o modelo de operação ferroviária privatizado”, critica.

Logo após visitar pessoalmente a estação de Tibiriçá, o diretor regional da RFFSA, engenheiro Paulo Brittes, informou que pretende ainda hoje forçar o desabamento da parte do telhado que sobrou para evitar acidentes futuros.

Ele pretende oferecer o que restou do prédio à Prefeitura de Bauru, que já começa a operar no trecho um trem tracionado por uma locomotiva a vapor e mais dois vagões de madeira.

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