Ainda que em menor escala, a inflação da economia brasileira não sabe parar, estacionar e muito menos desaparecer. Caminha vagarosamente e não se detém em nenhum estacionamento, pois seus motores desconhecem estagnação, não dando bola para seu afogador... Começou a disparada há 30 anos, em 1974, coincidindo com o epílogo do chamado “milagre brasileiro”, quando as vendas, com seus custos acrescidos, encetaram ininterrupta retração e, para compensar as quedas, as grandes empresas elevaram os preços de seus numerosos produtos, mandando-os para as alturas celestes. Mas não se sustentou aí a vertiginosa caminhada, porquanto o surgimento de um tempestuoso surto inflacionário em nível mundial se encarregou de tornar-se a segunda causa do problema, que não mais descansaria, uma vez que até hoje afeta a economia nacional, aumentando tanto as cotações dos produtos importados (petróleo, máquinas etc) como dos exportados em geral. E não ficou nisso a acachapante causa, porquanto uma terceira cairia sobre os ombros e os bolsos de todos com a insuficiência da produção de alimentos e outros bens, tornando-se crônica e crítica. E este comentário não pode esquecer, deixar de lado, os males da especulação financeira, desenvolvida catastroficamente a partir de 1977 por um terço das maiores empresas do País, auferindo mais lucros abusivos por essa forma do que produzindo bens e serviços de expressa utilidade. Quais as conseqüências do grande malefício? Declínio de salários e vencimentos e deficit do governo, penitenciando-se já que os acréscimos de remuneração profissional correram atrás e não na frente dos preços em geral, empurrando as populações para o endivididamento e menos consumo, com base no que se tem aí a pobreza coletiva, que nem a assistência de leis e decretos governamentais faz o milagre da sustentação do povo em alimentos, roupas, remédios, escolas, transportes etc, porquanto a inflação, acrescida dos desmandos do governo quanto à fixação de impostos e taxas e das empresas no referente a luz elétrica, telefonia e água encanada não se reduz na medida ideal. Até quando irá a inflação sem fechar as mãos, mas abrindo-as resolutamente para a ganância e o desperdício? É o que perguntamos.
O autor, N. Serra, é jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.
“Há sempre uma noite escura para cada amanhecer. E na pequena-grande aventura de nascer, existir e morrer, quantas lições de vida teremos de aprender?”