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Exoneração acirra déficit de pediatras

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 4 min

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) recebeu nesta semana mais um pedido de exoneração de um médico pediatra, engrossando um aparente movimento de “debandada” de profissionais da área. Nas últimas semanas, pelo menos cinco destes médicos, que prestam serviços no Pronto-Atendimento Infantil (PAI) e nas unidades descentralizadas (Mary Dota, Bela Vista e Vila Ipiranga) pediram exoneração de seus cargos no sistema municipal de saúde. Em toda secretaria, das 246 vagas de médicos, 71 estão vagas.

A médica que se desligou anteontem da SMS não quis comentar a sua decisão, mas colegas que ainda mantêm seus cargos revelam que a motivação destes pedidos de exoneração seria um clima generalizado de descontentamento da categoria com a administração do sistema municipal de saúde. Em carta enviada à reportagem, um profissional da pediatria que pediu para não ser identificado porque ainda atua no sistema municipal, lista uma série de supostas atitudes de desrespeito aos colegas.

Na carta, o profissional diz que o déficit de pediatras no município causa uma enorme sobrecarga de trabalho aos colegas, que precisam muitas vezes ficar sozinhos para atender os pacientes nas unidades descentralizadas, quando o ideal seria pelo menos a manutenção de dois médicos. Com isso, relata, os pediatras ficam expostos a estresse exagerado e sujeitos a erros. Além disso, os pediatras estariam insatisfeitos com supostos cancelamentos de férias, abonos e licenças-prêmio.

O secretário municipal da Saúde, João Sérgio Carneiro, rejeita que haja uma “onda de descontentamento” e diz que os últimos pedidos de exoneração foram motivados apenas porque os profissionais moravam em cidades vizinhas e, por isso, estariam “cansados de viajar” para trabalhar. No último caso, Carneiro diz que a médica só deixou seu cargo porque o marido, também médico, estaria atuando na Capital e que, para acompanhá-lo, ela estaria deixando a cidade.

Com a nova exoneração, Carneiro admite que o déficit de pediatras em Bauru sobe para 13 médicos. A situação pode fugir ao controle, já que o mais recente concurso para o setor de pediatria fechou suas inscrições na última sexta-feira com menos candidatos que as vagas oferecidas - só três médicos “disputarão” os cinco postos disponíveis. “Se todos eles passarem (no concurso) e assumirem os cargos, apenas retomaremos a situação anterior às exonerações, que já era ruim”, contabiliza Carneiro.

Com relação à questão das férias, o secretário da Saúde diz que apenas adotou critérios para promover um rodízio na escala das saídas. “Em janeiro passado, dos 36 pediatras da prefeitura, 19 estavam em férias. Todos só querem sair durante o recesso escolar (janeiro e julho) e isso não é possível”, conta, ressaltando que apenas adotou um critério “democrático” de avaliação para definir uma escala mais racional.

Mesmo com este aparente movimento de “fuga” dos pediatras, o secretário da Saúde rejeita a possibilidade de interromper o atendimento de emergência em algumas das unidades descentralizadas. Atualmente, o sistema funciona com um quadro “enxuto”: três pediatras no PAI, dois no posto da Bela Vista e apenas um na Vila Ipiranga e Mary Dota. “Quando um falta ou fica doente, um dos postos da periferia pode ficar sem o pediatra, pois o PAI não pode ficar prejudicado”, explica Carneiro.

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Vagas ociosas

O secretário de Saúde João Sérgio Carneiro admite que a administração municipal enfrenta grandes dificuldades para atrair profissionais para o serviço público municipal e preencher todas as vagas de médico que Bauru comportaria. Segundo informação da Secretaria de Administração, das 246 vagas de médicos previstas na grade municipal, 175 estão ocupadas e 71 estariam à espera do preenchimento.

Para exemplificar as dificuldades enfrentadas, ele relata que no último concurso para clínico geral, dos 16 aprovados apenas dois assumiram seus cargos. Carneiro reconhece que a rotina de trabalho em pronto-socorro é muito desgastante, e que o salário pago para médicos da rede básica é pouco convidativo. Em Bauru, para cumprir uma carga de 20 horas semanais, um médico de PS recebe gratificação de 125% sobre o salário-base de R$ 941,00, enquanto que na rede básica a gratificação é de apenas 35%.

Para ele, uma das saídas para esta situação seria melhorar a remuneração dos médicos, principalmente os que prestam serviço na rede básica. Carneiro lembra que assumiu em julho, mas não pôde propor grandes mudanças em função das restrições impostas pela lei eleitoral.

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