Cultura

Brasil, Brasis

Da Redação
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“Ainda não caiu a ficha”, resume o artista plástico Plínio Righon. Países como Alemanha e Roma já receberam as cores fortes e as formas indefinidas de Righon, mas a partir de agora a França está entre os destaques da carreira do artista.

Ciente de que o Brasil seria o próximo País homenageado no evento anual promovido pela França, Righon enviou um projeto sobre seu trabalho ao Maison do Brasil (localizada na cidade universitária que abriga estudantes e artistas em Paris) e foi escolhido para expor 40 telas de 13 a 30 de janeiro de 2005.

“Para minha surpresa fui selecionado. Minhas obras estarão sozinhas em duas salas e abrirei a temporada de artes plásticas”, comemora o artista. Compor o “Ano do Brasil na França” juntamente com outros artistas brasileiros e ter a regalia de expor as telas individualmente renderam ao evento o título de grande acontecimento entre os 35 anos de carreira de Righon.

Para levar as telas a Paris, o artista utilizará recursos próprios e terá o patrocínio de empresas da região de Santa Cruz do Rio Pardo. Apesar de o Ministério da Cultura estar envolvido no evento, Plínio Righon não recorreu à ajuda governamental. “Estou caminhando por minha próprias pernas.”

Após os 17 dias de exposição em janeiro, as telas de Righon irão para o Espaço Brasil, pavilhão em Paris onde são realizadas exposições culturais e divulgações de produtos brasileiros para a Europa.

Cores e formas

Lembranças de Van Gogh (pintor holandês), temas e pinceladas contemporâneas com influências do expressionismo alemão, de cores impressionistas, mas tudo com uma linguagem própria. A soma dessas características resulta em três pontos marcantes nas pinturas em óleo sobre tela de Righon que irão à França: cores expressivas, pinceladas velozes e decomposição da figura humana.

Divididas em duas séries, essas características estão presentes principalmente em uma delas, chamada “Intimidades: cenas brasileiras”. “São cenas do cotidiano, é a maneira como vejo o mundo. Não é só pintar (o que eu quero), é provocar uma reflexão. É uma obra aberta que foge da estética acadêmica do fim do século 19. Apesar de ser feita num contexto regional, pode ter uma leitura universal”, acredita Righon. Em “Arranjos florais”, segunda série, as flores intensamente coloridas querem diversificar a pintura brasileira. Verde, vermelho e amarelo são disponibilizadas numa linguagem contemporânea e, novamente, distantes do academicismo.

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O evento

O “Ano do Brasil na França” faz parte de um evento cultural francês que ocorre desde 1985. Anualmente, a “Saisons Culturelles Étrangères en France” homenageia uma nação e a convida a levar sua produção cultural aos principais lugares do cenário francês, como o museu do Louvre e o Maison de l’Amérique Latina. O Brasil substituirá a Polônia, atual homenageada.

Segundo informações do site do Ministério da Cultura, responsável juntamente com ógãos franceses pela organização do evento, cerca de 400 projetos serão levados a Paris e apresentados principalmente entre os meses de março e dezembro do próximo ano. Dança, teatro, cinema, música, design, folclore, entre outras manifestações, integram o “Brésil, Brésis” - Brasil, Brasis, tema do País no evento.

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