Iacanga - A Câmara Municipal de Iacanga (50 quilômetros a norte de Bauru) deverá julgar na próxima segunda-feira o mandato do vereador Joaquim Sedemak Filho (PFL). Ele é acusado de falta de decoro parlamentar.
De acordo com o parecer que deverá ser lido na sessão legislativa de segunda, o vereador “desrespeitou” a Câmara e, por isso, corre o risco de ser afastado pelos colegas.
As críticas contra o Legislativo teriam começado durante o processo de cassação do ex-prefeito Durvalino Afonso Ribeiro (PFL), ocorrido em abril deste ano. Na ocasião, Sedemak fazia parte da Comissão Processante (CP) que investigou as denúncias contra o ex-prefeito. Além dele, participaram dos trabalhos os vereadores Carlos Francisco Abdala (PP) e Dorival Ferreira de Campos Filho (PP).
Descontente com o rumo das investigações, o vereador chegou a requisitar um mandado de segurança contra os trabalhos até então realizados.
No pedido, ele critica os demais membros da CP pelos “desmandos” e pela dificuldade que eles teriam imposto à defesa do ex-prefeito. Sedemak classificou a comissão de “malfadada” e declarou que o presidente da CP, Carlos Abdala, teria emitido decisão “mentirosa”.
Na avaliação do relator, em determinados momentos, teria ficado a impressão de que o denunciado estava mais preocupado em defender os interesses do então prefeito do que em desenvolver seu trabalho na comissão. Sedemak fazia parte do grupo de vereadores que dava sustentação política ao ex-prefeito dentro da Câmara.
Por causa das críticas de Sedemak aos vereadores que trabalharam com ele na CP que resultou na cassação de Durvalino, criou-se uma outra comissão. Desta vez, com o objetivo de apurar suposta falta de decoro do vereador.
Na opinião do relator, Licionor Fermino (PMDB), o colega “extrapolou seus limites” e desrespeitou a Câmara como instituição.
Diante disso, ele considera procedente a denúncia de falta de decoro. O parecer será lido na sessão de segunda-feira e se a maioria dos vereadores presentes concordarem com o relatório, Sedemak poderá ser cassado.
Antes do julgamento, o acusado terá duas horas para apresentar sua defesa diante dos colegas. Em seguida, vem a votação. A cassação só é aprovada se houver concordância da maioria dos vereadores presentes.
Se preferir, Sedemak poderá ainda renunciar ao cargo e escapar da cassação. De acordo com o vereador Dorival Ferreira de Campos Filho (PP), presidente da CP, ele poderá fazer isso no dia da sessão.
Por dois dias seguidos, o JC tentou entrar em contato com Sedemak, mas não conseguiu. Foi deixado recado na secretária eletrônica, mas não houve retorno.