A vida não é uma causa perdida, mas uma perda causada. Eu sou platéia de diárias representações de imensas perdas de tempo. “Nossa... faz tempo que eu não te vejo com mulher, Límerson”. “Tá sozinho, Límerson”. “Se masturbando, Límerson”. “Saiu com a morena? Catou a morena?” Tá sozinho, Límerson?”.
Olha o tempo que as pessoas perdem com perguntas que não fazem parte delas. Estou sozinho? Sim! Mas... vamos deixar uma coisa bem clara? De quem é a vida solitária aqui? Ah? Então tá bom, é minha vida e meu destino. Gente...o Bush ganhou, PSDB no governo de uma cidade, guerra e nada aconteceu. A vida está passando, as nossas soluções não estão nem encaminhadas e vocês preocupadas com a freqüência da minha sexualidade!
As companhias de telefonia celular nos chamam de idiotas e a gente fica assistindo televisão, preparando a festa do Natal, lendo a Tribuna do Leitor. Pelo amor que vocês têm por alguma coisa, as nossas atitudes parecem com a imagem de vermes se devorando, esfregando, lambendo, odiando, sobre um imenso pedaço de carne velha.
Eu tenho 17 anos, devia estar um pouco mais feliz com isso. Não leiam isso! Vão conversar com um amigo, beijar alguém, causar um escândalo, virar bissexual, andar por cima das tartarugas entre as ruas, amar, odiar, redescobrir a espontaneidade. Beijar, abraçar e acariciar. Qurem tentar fazer a gente se esquecer que nós somos humanos. Respiramos. Sentimos. Comemos e vomitamos.
Mas a nossa percepção é mais fraca que a nossa falta de educação. Por isso é mais fãcil me chamar de boçal e ser um boçal na outra quadra da rua sem saída. Um beijo na boca da educação de vocês pode até ser ousadia e pode até ajudar. Desde que reforme esta nossa posição de reclamadores soterrados no sofá.
Dezessete anos... aonde eu fui parar sem um ombro para enxugar meus olhos? É isso! Não acreditem em mim! Enlouqueci! Escrevo de um sanatório para adolescentes tristes! Bla, bla, bla! Sou uma exceção! É que eu estou sozinho, “tadinho dele. Ele é de sagitário... nunca vi com mulher nenhuma... e como o mundo gira em volta dele... ele deve estar exagerando. Não é tudo isso”. Tenho o sentimento de um muro quebrado, como se algo novo fosse começar dos zeros acumulados. (Límerson Morales Costa - 17 anos).