Em Presidente Alves, o distrito de São Luís do Guaricanga se ilumina na época do Natal. A servidora municipal Lázara Simão Soares Mendonça se encarrega de ser a Mamãe Noel não só para entregar os presentes, mas também para arrecadar.
O trabalho feito por ela começou em 1987 e já se tornou tradicional. Nesse período, ela contou "com muita ajuda lá de cima". Em um dos episódios, houve até a "multiplicação dos doces", afirma.
Lázara Simão Soares Mendonça teve a infância marcada pela miséria. “Eu passei fome e nunca tive um brinquedo quando criança. Dependia sempre dos outros para ter algo”, conta emocionada.
Na fase adulta, Lázara Mendonça trabalhou na cana, na colheita de abacaxi e lichia. Agora, é funcionária da sub-prefeitura do distrito. “Tinha um sonho de ajudar as crianças carentes para que elas fossem felizes ao menos no Natal.”
O sonho só pôde se tornar realidade em 1987. “Comecei distribuindo balas para 90 crianças. Atualmente, são 380, a maioria filhos de trabalhadores rurais.
O distrito tem cerca de 1.600 moradores. “Grande parte deles trabalha na usina. Esses ganham cesta básica e presentes da empresa, mas há aqueles que não são funcionários que não ganham o suficiente. Os moradores do assentamento também são atendidos. Eu não faço diferença porque são crianças e elas não entendem.”
Lista de arrecadação
Todo ano a servidora municipal faz uma lista e começa as visitas nas fazendas da redondeza. “Já fiz isso a pé. Este ano ganhei 50 litros de combustível e um morador vai me levar para a arrecadação.”
Ela recebe qualquer tipo de doação e transforma em dinheiro para a compra de brinquedos e cestas básicas. “Quando ganho uma leitoa de algum sitiante, faço uma rifa e com o dinheiro compro brinquedos.”
Este ano, a lista tem doadores de dinheiro e a leitoinha que vai pururucar no forno do ganhador da rifa. “No ano passado fiz um bazar de roupa usada. Quando tenho oportunidade aproveito, porque está difícil conseguir dinheiro. O número de crianças aumentou e o número de doadores não acompanhou.”
Mas a servidora não faz a festa só com o que recebe. “Eu dou o meu 13.º salário para a compra de doces e dos brinquedos. Não quero que as crianças sofram uma decepção no Natal.”
As doações recebidas por ela, variam de R$ 10,00 a R$ 100,00. “Cada um doa o que pode. Eu aceito qualquer doação. Se alguém quiser doar os brinquedos, eu também aceito.”
Cartas ao Papai Noel
A servidora municipal já começou a receber as tradicionais cartinhas de pedidos endereçadas ao Papai-Noel. Os pedidos nem sempre são atendidos. “Eles pedem piscinas, bicicletas, videogame, cestas básicas e até casa para os pais.”
Em uma das cartas, a criança pede material escolar, porque mesmo com a ajuda da bolsa-escola, os pais não têm condições de comprar. “Somos em cinco e meus pais ainda pagam aluguel”, diz a criança, na carta.
Em outra, o menino pede um carrinho de controle remoto. “Estou com 13 anos e nunca tive uma festa de aniversário. Meu sonho é ganhar um carrinho de controle remoto.”
Uma sandália transparente também faria a alegria de uma menina moradora no distrito. Ela pede ao Papai Noel que dê o calçado que ela vê no pé de outras pessoas. “Queria uma para mim.”
Se dependesse de Lázara, todos os pedidos seriam atendidos. "Infelizmente, não dá."