Economia & Negócios

Presentear no Natal é uma arte

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Presentear é uma arte? Depende muito de bom gosto e recomenda-se bom-senso redobrado. Então, errar no presente é muito mais comum do que se pensa. Por uma questão de educação, quem recebe pode dissimular e não evidenciar sua insatisfação.

Certo é que a arte de presentear pressupõe mais do que a simples escolha de um objeto. Erro comum é definir o presente atendendo somente a um gosto pessoal, ao invés de se pensar no desejo de quem irá receber a surpresa. As pessoas não percebem porque são guiadas de forma inconsciente. Por isso, dar um presente é uma aposta no escuro.

A estudante de turismo Miriam Pereira Lima sentiu isso na pele e o baque foi mais intenso, porque ocorreu numa noite em que não se espera que aconteça nada de desagradável e envolveu uma pessoa muito estimada. Bem na noite de Natal, Miriam e as pessoas próximas sentiram a fúria de quem ganhou e detestou seu presente. Além de não gostar, o problema é que a pessoa resolveu externar seu desagrado e foi mais longe ao tecer comentários nada elogiosos na frente de todos. Literalmente azedou a noite de Natal.

Tamanho desconforto ocorreu porque Miriam resolveu inovar ao presentear uma pessoa da sua convivência diária com um lindo pijama. A escolha foi premeditada porque vinha percebendo que a pessoa estava usando camisetas furadas para dormir. Na noite de Natal, toda a família reunida trocando os presentes. Clima de confraternização geral. Entretanto, na hora em que o presente de Miriam foi aberto todos levaram um susto: “quem disse que eu preciso de pijama?”.

Diante da situação, ninguém se sentiu à vontade para mais nada. Miriam comenta que todos ficaram desconcertados e a noite de Natal virou um baita fiasco em sua casa. Dois dias depois, com os ânimos menos exaltados, a estudante foi ao shopping e trocou o presente por lingeries. Ela comenta que não considerou dar peças de roupas íntimas porque pensou ser previsível e muito comum. Mas foram as lingeries que arrancaram sorrisos. Passou a contar o episódio para todos da família e amigos próximos que ficaram com receio de errar com a pessoa.

Fabio Cardoso reclama que já recebeu presentes que não foram do seu agrado. Presentes de ocasião são os mais arriscados, principalmente, de amigo-secreto. Ele desaprova sumariamente sabonetes e perfumes. “São escolhas muito pessoais e você tem que conhecer muito a pessoa”, alerta.

O papel de vítima Cardoso já desempenhou, entretanto, também experimentou ser “carrasco”. Ele conta que sua maior gafe foi exatamente com um presente sofisticado. Ele presentou uma pessoa com uma inocente garrafa de vinho, sem desconfiar que o presente era absolutamente inoportuno. O motivo para a pessoa não se sentir presenteada era sério. Quem recebeu a garrafa de vinho estava exatamente deixando de beber e, por mais desejado, saboroso e nobre que fosse o presente, não era apropriado.

A estudante de psicologia da Unesp Bauru Anyela Gouveia Monteiro ganhou um óculos de sol que não tinha nada a ver com seu estilo. Nem chegou a usá-lo, apesar de fingir ter adorado. O presente foi repassado para uma amiga que reside com ela. O óculos combinava muito mais com a outra pessoa, que não teve pudor em pedi-lo de presente.

O problema não foi o tipo do presente, mas o modelo. Anyela conta que quando colocava o óculos, parecia que seu figurino ficava fora de foco. Até achou os óculos bonitos, mas “meio perua”. O presente veio de uma amiga de sua mãe e que já estava acostumada a presenteá-la. “Por isso falei que gostei. Foi de boa vontade. Apesar de conhecida, não era íntima para dizer que não combinava comigo”, explica.

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