Gastronomia

Duelo de gigantes

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 6 min

Quando fui a Coimbra e Aveiro, Portugal, me esbaldei com o leitão à bairrada servido na região. Crocante, leve e com carne macia, ele é tudo que uma brasileira queria longe da terra Natal, mesmo com saudades de quem ficou para trás. Incluindo, claro, meu filho de pêlos, o Juquinha. Os portugueses sempre consumiram carne de porco, preparando-o com todo o capricho. Não entendo porquê aqui no Brasil conseguiram falar mal do bichinho.

Minha mãe, neta de portugueses, Mello, Martins e Lemos, lembrou que antigamente, nos sítios de Amparo, Socorro ou até mesmo em Campinas, todo mundo tinha seu chiqueirinho.

Mas como na época a meta era engordá-lo até chegar à obesidade mórbida, os porcos, quando era abatidos, tinham uma imensa capa de gordura. Daí a má fama. Os anos passaram, ninguém precisou mais de calorias extras para o trabalho duro na lavoura e os bichinhos passaram por uma espécie de lipo. Emagreceram pra caramba, tanto assim que, hoje, até entre os médicos do Incor correm receitas à base da carne suína.

A única camadinha de gordura que se nota nos porquinhos criados com todo cuidado pode simplesmente ser retirada pelo gourmet quando esses vão à mesa. Por ser uma das carnes mais saborosas que se encontra no mercado, o porco disputa nas mesas de final de ano lugar de destaque com outros quatro patas famosos: o carneiro e o cabrito.

Carnes igualmente gostosas, desde que se saiba mariná-las com antecedência para tomarem gosto antes de serem enfiadas no forno ou na panela. As receitas de hoje são da revista Gula.

Sela de porco à moda da fazenda (4 porções)

Ingredientes

Para a sela de porco

1 1/2 kg de sela de porco desossada, com o couro (encomende ao seu açougueiro)

Marinada:

200 ml de vinho branco

100 ml de vinagre de vinho branco

1 cebola em pedaços

1 ramo de louro

2 dentes de alho

1 ramo de alecrim

1 ramo de tominho

Sal e grãos de pimenta-do-reino a gosto

2 colheres de sopa de óleo de oliva

Um pouco de óleo para fazer a pururuca

Para a guarnição:

200 g de grãos-de-bico cozidos em água e sal

2 cenouras, 2 abobrinhas e 2 nabos cortados em finas tiras

50 g de manteiga

Sal a gosto

Preparo da sela de porco

Em um recipiente, misture os ingredientes da marinada, junte a carne e deixe-a nos temperos por umas três horas, aproximadamente.

Retire a carne e reserve o molho da marinada.

Numa frigideira, aqueça as duas colheres de óleo de oliva, junte a carne e, em fogo forte, doure-a de todos os lados.

Passe-a para uma assadeira, cubra-a com papel alumínio e leve-a ao forno pré-aquecido a 200 ºC, por aproximadamente 40 a 60 minutos, até a sela ficar cozida e macia.

Após os 15 primeiros minutos de forno, retire o papel alumínio e baixe a temperatura para 180ºC, regando a carne de quando em quando, com o molho da marinada.

Preparo da guarnição:

Aqueça a manteiga em uma frigideira, junte os grãos-de-bico, já escorridos e os legumes.

Polvilhe sal, deixe por algum tempo no fogo, para os legumes cozinharem, retire e reserve quente.

Finalização:

Retire a sela do forno. Em uma frigideira, aqueça um pouco de óleo, para fazer a pururuca. Quando o óleo estiver bem quente, borrife-o sobre o couro da carne, para empipocá-lo.

Passe a sela de porco para uma travessa e guarneça com os legumes.

Cabrito da fazenda (4 porções)

Ingredientes:

1 pernil de cabrito de 1,5

a 2 kg

Marinada:

1 cenoura

1 cebola

1 talo de aipo

4 dentes de alho

150 ml de vinho branco

150 ml de vinho madeira

40 ml de óleo de oliva

1 ramo de alecrim

3 ramos de tomilho fresco

2 folhas de louro

6 grãos de pimenta-caiena

1 colher (chá) de açúcar mascavo

1 colher (chá) de mel

Sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto

Manteiga para pincelar

Acompanhamento

Couve-de-bruxelas e noisettes de cenoura, nabo e batata, refogados em manteiga com ervas

Limpe o pernil de cabrito. Tempere-o com os ingredientes da marinada e deixe-o de molho nos temperos por cerca de seis horas.

Retire o pernil da marinada, pincele-o com manteiga e asse-o em forno preaquecido a 220ºC, por cerca de 45 minutos.

Sirva com os legumes.

Leitão à bairrada com batatas ao murro (6 porções)

Ingredientes:

1 leitão com cerca de 6 kg

Alhos amassados

Sal grosso

Bastante pimenta

Banha

1 ramo de salsa

Depois de morto e limpo para a retirada dos pêlos e tripa, pendure o leitão num gancho por quatro horas para que fique bem seco.

Enfie em espero, tempere e recheie com banha e a mistura de alho amassado, sal grosso e pimenta. Feche a barriga com linha.

Asse em forno de pão com um recipiente embaixo para escorrer a gordura. De meia em meia hora, retire o leitão do forno e passe em sua pele um pano seco para limpar o excesso de gordura.

Chama-se de “constipar” o leitão. Ao tirar o leitão e limpá-lo ele sofre um choque frio, o que vai levar o assado a ficar com a pele dura e estaladiça (crocante).

O tempo de forno varia de uma hora e meia a duas horas, no mínimo (forno quente, à lenha).

Depois de assado rtetire do espeto, corte e sirva com rodelas de laranja e alface.

Acompanha batatas ao murro: 1 kg de batatas com casca, óleo quente o suficiente e dentes de alho a gosto

(Lave bem as batas, seque e asse em forno médio por cerca de 30 minutos. Retire, rompa com uma batida (murro) e depois frite no óleo quente junto com os dentes de alho).

Carneiro na panela (6 porções)

Ingredientes:

2 kg de carne de carneiro

1 copo de vinagre

5 dentes de alho amassados

Ramos de alecrim desfolhados

Sal

Coloque a carne para cozinhar apenas com sal e sem água, que deve ser posta aos poucos, se for necessário.

Ao mesmo tempo, juntar ao copo com vinagre o alho e o alecrim, e deixar tomando gosto. Quando a carne estiver macia, com pouco caldo na panela, despejar o copo de vinagre e temperado e deixar ferver para apurar o molho.

Provar o sal e servir bem quente.

Sem odor

O cabrito é outro animal injustiçado. Dizia-se, no passado, que tinha cheiro forte e enjoativo e que além disso sua carne era seca.

As novas criações aboliram totalmente o odor desagradável e apresentam ao mercado cabritinhos ao leite.

O mau cheiro, segundo os criadores, origina-se de uma glândula que se desenvolve na cabeça dos animais a partir dos cinco meses de vida. Hoje, o cabrito é abatido antes de chegar a essa idade, através de um acelerado processo de engorda.

Comentários

Comentários