Saúde

Sistemas sociais favorecem obesidade

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Que o estilo de vida dos séculos 20 e 21 é o grande vilão do aumento da obesidade no mundo, todo mundo já sabe. Mas a psicóloga Maria Lúcia Nejm de Carvalho decidiu investigar como os sistemas de vida favorecem esses maus hábitos.

Ela acompanhou a rotina de cinco crianças durante vários meses e os resultados acabam de ser apresentados como tese de mestrado na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo.

“Minha proposta era fazer um estudo sistêmico do estilo de vida de crianças com obesidade exógena - aquela em que não há nenhuma causa orgânica envolvida. Sistêmico porque considera os sistemas onde a criança está inserida: família, escola, cidade, bairro, posto de saúde. O estilo de vida é a maneira como a criança se organiza nesses diversos ambientes”, descreve.

Durante um ano, a psicóloga acompanhou a rotina de cinco crianças entre 8 e 10 anos que receberam diagnóstico de obesidade exógena.

Todas elas eram usuárias de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) de Bauru e foram convidadas a participar voluntariamente do projeto. A localização da unidade e os nomes das crianças serão omitidos para garantir sua privacidade.

O primeiro passo foi conhecer as crianças envolvidas. A pesquisadora coletou informações médicas, como a idade, peso e altura dos pacientes quando receberam o diagnóstico de obesidade. Também fez entrevistas com as crianças e seus familiares para levantar o histórico da obesidade e do estilo de vida da família.

A partir destes dados, a pesquisadora iniciou o acompanhamento dos pacientes propriamente dito.

“Elas foram observadas na escola e em casa. Na escola, eu acompanhei seus hábitos em sala de aula, durante o recreio e nas aulas de educação física. Em casa, eu acompanhei os horários de refeição e de lazer, incluindo período diante da TV e os momentos de fazer a tarefa”, conta.

O objetivo era observar o comportamento das crianças como um todo: como comiam, o que comiam, quanto comiam, como se exercitavam, quanto se exercitavam, nível de estresse e ansiedade.

Paralelamente, a psicóloga investigou os ambientes onde essas crianças estavam inseridas: cidade, bairro e saúde pública. O intuito era verificar como eles poderiam contribuir para o aumento ou a parda de peso.

A pesquisa mostrou, de modo geral, que todos esses sistemas contribuem para o aumento de peso da criança, na medida em que incentivam a ingestão abusiva de calorias por um lado e favorecem o sedentarismo por outro, ou seja, a criança come demais e se exercita de menos. O resultado imediato é o ganho de peso.

Para a pesquisadora, reverter o processo exige uma ação conjunta desses sistemas sociais, o que requer mais informação, educação e maior investimento em promoção da saúde e equipamentos públicos.

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