Política

Garmes prepara despedida da política

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

O Jornal da Cidade inicia hoje uma série de entrevistas com os 15 vereadores eleitos de Bauru. O primeiro a ser ouvido é Antonio Carlos Garmes (PSDB), que se prepara para o terceiro mandato consecutivo como parlamentar. Segundo ele, a próxima legislatura marcará também a sua despedida da política.

Garmes descarta concorrer novamente a cargos públicos. “Jamais serei candidato outra vez. Vou exercer o mandato com dignidade até o último instante, mas estou encerrando a minha colaboração para com a cidade”, destaca.

O vereador afirma que a sua decisão não significa que ele está desiludido com a política. “Também é preciso dar oportunidade para que apareçam novas cabeças e novas idéias. Tenho o mesmo vigor do primeiro dia do meu primeiro mandato, mas eu jamais serei um profissional da política. Daqui para frente, isso pode acontecer e é algo que eu não quero”, revela.

Garmes foi o sexto colocado nas eleições de outubro, tendo recebido 2.962 votos. Depois de exercer dois mandatos, ele afirma que encarar a terceira legislatura não será uma tarefa complicada.

“Não tenho mais sobressaltos. Eu aprendi a compreender o parlamentar. Antes de ser vereador, fui cinco anos e meio consultor jurídico da Câmara e participei ativamente de todas as atividades da Casa, comparecendo a todas as sessões”, declara.

Ele se considera, porém, um político mais experiente do que era há oito anos. “O tempo é senhor da experiência para aqueles que têm consciência e analisam com tranqüilidade todos os problemas que têm que enfrentar” justifica.

Tido como um dos vereadores mais combativos de Bauru, o tucano afirma que não pretende mudar sua postura. “Isso é da minha natureza. Sempre me considerei um vencedor, mas tudo foi muito difícil na minha vida. O que consegui foi com muita perseverança”, diz.

Conhecido também por sua oposição ferrenha ao governo Nilson Costa, Garmes acredita que terá um relacionamento melhor com Tuga Angerami (PDT). “A minha expectativa é que não tenhamos sobressaltos com o futuro prefeito. Tenho certeza que ele saberá dialogar com a Câmara Municipal e espero que isso seja feito sem interferência entre os poderes”, comenta.

Ele projeta, no entanto, muitas dificuldades para a próxima administração. “Temo pelo futuro da cidade, especialmente levando-se em consideração o caos que está sendo deixado em termos de dívidas impagáveis”, critica.

Garmes pretende permanecer no PSDB, mesmo com algumas ressalvas. “Eu tive vontade de ser candidato a prefeito há quatro anos e agora novamente. Questões partidárias não permitiram, mas como sou religioso e acredito com toda a minha fé que nada acontece sem que seja pela vontade de Deus, me conformo”, anuncia.

Um dos principais defensores da diminuição do número de vereadores na Câmara, de 21 vagas para 15, o tucano se mostra agora arrependido. “Hoje, vejo a redução com dor no coração, porque ela não irá resolver o problema. O Executivo é muito forte e, muitas vezes, domina o Legislativo. Se nós tivéssemos mais cadeiras, isso seria mais difícil”, argumenta.

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