O mundo inteiro passa fome. Até aqueles que conseguem consumir 2.500 calorias por dia. É que, no nosso dia-a-dia, consumimos produtos que não suprem as nossas necessidades alimentares básicas, causando-nos uma inanição crônica que compromete o funcionamento do nosso organismo. Ele se ressente de tal catástrofe alimentar, pois foi projetado para funcionar com alimentos adequados à saúde. Ao invés disso, comemos até nos fartar, açúcar refinado, frituras, bebidas gaseificadas, bebidas alcoólicas em grande quantidade, carne vermelha em abundância, comidas gordurosas e outros venenos cotidianos.
Todos os dias aumenta a nossa fome oculta com esse cardápio errôneo que nos é imposto pela mídia. Talvez estejamos saciados, satisfeitos, mas alimentados, não.
Eric Schlosser, em seu livro “País Fast Food” (editora Ática, 2002), denuncia os malefícios da chamada comida rápida na vida do ser humano comum e desinformado e mostra que as grandes cadeias de fast food investem pesado na diversão infantil em seus restaurantes para conquistar toda a família afim de consumir comida que não alimenta. Nessas redes, as batatas fritas eram preparadas com gordura de boi, o que lhes davam um sabor agradável ao paladar, mais extremamente prejudicial à saúde. A justiça norte-americana, reconhecendo que os EUA passam por uma epidemia de obesidade mórbida, com graves repercussões na saúde pública, desencadeada pela má alimentação, proibiu tal prática no preparo das “saborosas” batatas fritas.
Os meios de comunicação fazem vistas grossas, sonegando informações alimentares que poderiam afetar poderosos patrocinadores e, assim, sucumbidos às tentações dessas doces e engorduradas guloseimas, campeãs em estimular a fome oculta.
As conseqüências dessa fome invisível são terríveis: doenças degenerativas, problemas coronários e circulatórios, cânceres, pressão arterial fora de controle, obesidade mórbida, danos irreparáveis à estrutura esquelética e uma série de doenças que poderiam ser evitadas se tivéssemos informação de qualidade e alimentação barata.
João Alfredo Carrara - educador