Um dos “destaques” da 26.ª Bienal Internacional das Artes de São Paulo fica por conta de um documentário que retrata procedimentos simples feitos pelos consumidores de enlatados, caixas de produtos e afins. O interessante é perceber como uma cena que mostra uma mão abrindo uma lata pode prender a atenção de tantas pessoas - porém, se arte tem seus contratempos para alguns, ela é extremamente democrática para outros.
Caminhando pela mostra - atividade que consome, no mínimo, duas horas - outras obras chamam a atenção pela criatividade. Uma das belezas da bienal se encontra em um série de quadros abstratos, cuja mescla de cores quentes e frias salta aos olhos do público. Tons de vermelho e amarelo são misturados a nuances de verde e azul, resultando num perfeito arco-íris de sensações.
Destaques
Em homenagem ao centenário de Cândido Portinari a bienal expõe um rico acervo que contempla toda a carreira do artista. São telas, objetos, fotos e depoimentos organizados em um espaço amplo único, que foge à estética do restante das obras. Essa característica, portanto, nem de longe é negativa. Pelo contrário, ressalta a boa convivência dos diferentes aspectos de atuação da arte.
Além de mostrar tendências mundiais - a contemporaneidade eclética que dita os passos da cultura em inúmeros países - a bienal também não se esqueceu de homenagear a cultura brasileira. Telas que retratam índios e sertanejos cumprem bem o papel. Uma instalação feita de tecidos evoca as antigas tradições dos cultos e ritos indígenas. Outra série fotográfica retrata cortadores de cana em imagens em preto-e-branco. Próxima a essa exposição, miniaturas de animais silvestres expostos em prateleiras de vidro denunciam a extinção e a caça indiscriminada da fauna, estimulando a reflexão.
O último andar é um mix de tendências - com obras abstratas, esculturas futuristas e instalações sobre os meios de produção, como uma montagem que utiliza ferramentas como matéria-prima. Até um conjunto de telas florais é apresentado. Tudo convivendo na mais perfeita harmonia. Assim como anunciou, a mostra cumpre sua função: dita tendências e inspira.
• Serviço
26.ª Bienal de Artes de São Paulo. Até o próximo domingo, no pavilhão central do Parque do Ibirapuera, na Capital. A entrada é gratuita.