Cultura

Arte democrática marca bienal

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 2 min

Um dos “destaques” da 26.ª Bienal Internacional das Artes de São Paulo fica por conta de um documentário que retrata procedimentos simples feitos pelos consumidores de enlatados, caixas de produtos e afins. O interessante é perceber como uma cena que mostra uma mão abrindo uma lata pode prender a atenção de tantas pessoas - porém, se arte tem seus contratempos para alguns, ela é extremamente democrática para outros.

Caminhando pela mostra - atividade que consome, no mínimo, duas horas - outras obras chamam a atenção pela criatividade. Uma das belezas da bienal se encontra em um série de quadros abstratos, cuja mescla de cores quentes e frias salta aos olhos do público. Tons de vermelho e amarelo são misturados a nuances de verde e azul, resultando num perfeito arco-íris de sensações.

Destaques

Em homenagem ao centenário de Cândido Portinari a bienal expõe um rico acervo que contempla toda a carreira do artista. São telas, objetos, fotos e depoimentos organizados em um espaço amplo único, que foge à estética do restante das obras. Essa característica, portanto, nem de longe é negativa. Pelo contrário, ressalta a boa convivência dos diferentes aspectos de atuação da arte.

Além de mostrar tendências mundiais - a contemporaneidade eclética que dita os passos da cultura em inúmeros países - a bienal também não se esqueceu de homenagear a cultura brasileira. Telas que retratam índios e sertanejos cumprem bem o papel. Uma instalação feita de tecidos evoca as antigas tradições dos cultos e ritos indígenas. Outra série fotográfica retrata cortadores de cana em imagens em preto-e-branco. Próxima a essa exposição, miniaturas de animais silvestres expostos em prateleiras de vidro denunciam a extinção e a caça indiscriminada da fauna, estimulando a reflexão.

O último andar é um mix de tendências - com obras abstratas, esculturas futuristas e instalações sobre os meios de produção, como uma montagem que utiliza ferramentas como matéria-prima. Até um conjunto de telas florais é apresentado. Tudo convivendo na mais perfeita harmonia. Assim como anunciou, a mostra cumpre sua função: dita tendências e inspira.

• Serviço

26.ª Bienal de Artes de São Paulo. Até o próximo domingo, no pavilhão central do Parque do Ibirapuera, na Capital. A entrada é gratuita.

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