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1ª estação ferroviária de Bauru é tombada

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

O prédio da antiga Estação Sorocabana, localizada na altura da quadra 1 da avenida Pedro de Toledo, foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Codepac). Construída em 1905, foi a primeira estação da cidade e por isso é um imóvel de grande valor histórico para Bauru, diz Nilson Ghirardello, professor de arquitetura da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e membro do conselho.

“A estação da Sorocabana é pequena, mas foi a primeira de Bauru e a partir dela é que foi instalada a estrada de Ferro Noroeste, tão importante para o desenvolvimento urbano e econômico da cidade”, frisa Ghirardello. Até 1939, quando a estação da Rede Ferroviária Federal começou a funcionar, trens de cargas e passageiros paravam na pequena estação da Sorocabana, que hoje está em condições precárias de conservação.

Atualmente, o prédio pertence à Rede Ferroviária Federal e é utilizado para embarque e desembarque de cargas. À pequena estação está ligada um outro imóvel, que funciona como depósito. “Do ponto de vista arquitetônico, é uma construção muito modesta. É (um prédio) em tijolo à vista, no modelo de estação inglesa, sem ornamentação especial. Mas tem uma grande importância histórica e cultural”, frisa Ghirardello.

O decreto, publicado no Diário Oficial do Município (DOM) do último sábado, determina que ficam preservadas as fachadas externas (portas e janelas de ferro de madeira) frontais e laterais, plataforma e cobertura. Até restaurações e pinturas precisam de autorização do Codepac para serem realizadas, sob pena de multa que pode variar de 1% a 20% do valor do imóvel.

O mesmo procedimento terá que ser adotado para eventuais ampliações ou modificações. Filha e mulher de ferroviário, a dona de casa Silvana Silva, 27 anos, mora na vila da Sorocabana desde que nasceu e lembra da época que a estação era bem conservada. “Tinha vários funcionários, era tudo bem conservado. Hoje, está tudo abandonado, com mato chegando perto da estação”, comenta.

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Processo

Bauru já tem 27 imóveis tombados oficialmente, por decreto municipal, e mais de dez cujos processos já foram finalizados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Codepac) e estão aguardando a publicação no Diário Oficial. Há outros processos, como o da residência da família Rasi, que ainda estão em estudo.

Para ser tombado, um imóvel precisa apresentar importância histórica, cultural ou arquitetônica. O processo de tombamento do imóvel tem início a partir da apresentação de um pedido de estudo ao Codepac. A solicitação pode ser feita por conselheiros do órgão, pelo prefeito ou por qualquer cidadão.

Caso o pedido seja aprovado, um perito é nomeado para realizar o estudo. São anexadas ao processo imagens novas e antigas do prédio e outras informações sobre o imóvel. Após a elaboração do parecer do perito, o conselho se reúne para votar o tombamento da edificação.

Quando a decisão é favorável, o processo é encaminhado para às secretarias de Planejamento e dos Negócios Jurídicos. O último passo é a publicação do decreto de tombamento no Diário Oficial do Município. A partir da abertura do processo para tombamento, o imóvel não pode ser demolido ou reformado sem a autorização do Codepac, lembra Nilson Ghirardello, membro do conselho.

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