Cultura

Conselho de Cultura: Discussão está apenas começando

Da Redação
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As discussões que antecederam a aprovação do projeto que cria o Conselho Municipal de Cultura, na última segunda-feira, na Câmara de Bauru, estão longe do fim. O projeto, aprovado por unanimidade com três emendas, segue agora para sanção do prefeito Nilson Costa, onde certamente encontrará guarida, já que é de autoria do Poder Executivo. As discussões serão amplamente estabelecidas no ano que vem, quando o conselho será efetivamente montado. Emenda do vereador Paulo Madureira (PP) permite a indicação dos membros do conselho apenas a partir de 1 de janeiro.

O secretário municipal de Cultura, Sérgio Losnak, vê como desnecessária a aprovação da emenda de Madureira. “A indicação dos membros a partir do ano que vem já estava embutida no projeto”, explica. “Não haveria como fazer a indicação dos membros ainda nesta legislatura, levando em conta que serão necessárias a realização de conferências para que cada categoria ligada à cultura do município indique seus representantes”, emenda.

De qualquer modo, Losnak vê avanço na aprovação do projeto. Ele entende que será trabalhoso organizar todas as entidades ligadas à cultura no município, levando em conta as divergências naturais. “Inicialmente, estávamos preparando uma ampla conferência para esclarecer os artistas e tirar uma comissão de cada categoria. Mas, agora, o processo vai ficar com a próxima administração”, conclui.

O coordenador regional de Cultura, Marcelo Graziani, acredita que a sociedade vai ganhar, mas faz um alerta. “Não vai ser nada fácil aglutinar todos os setores culturais da cidade. Antes de se começar efetivamente a discussão do conselho, será preciso organizar a categoria.”

Graziani diz que apenas o organização e o envolvimento da sociedade e das forças culturais da cidade vão evitar que o Conselho Municipal de Cultura se transforme no que ele define como “clube de amigos”. O diretor de teatro Sivaldo Camargo faz outro alerta, levando em conta as experiências que já viveu em Assis e Londrina. “É interessante que o conselho abra para participação da comunidade. Por outro lado, às vezes, acaba abrindo espaço para quem não tem ligação direta com a cultura do município. Isso faz com que o conselho ou não tenha quórum para aprovar os projetos ou tenha pessoas que não sabem do que se trata a discussão.”

Por outro lado, Camargo defende a existência do conselho como fundamental para que o município planeje sua política cultural a médio e longo prazo. “A discussão está apenas começando e será necessário um trabalho de base em cada área. O importante é que o conselho tenha à frente uma pessoa capaz de aglutinar tudo e lidar com as divergências naturais do processo.”

A cantora Lizeth e a bailarina da Imagem Cia. De Dança Paula Lamberti também citam o trabalho de aglutinação como fundamental para o início da discussão. Lizeth ainda vai além: “Antes de tudo, é preciso saber o que se considera como cultura na cidade.” “Esta é a oportunidade. E o primeiro passo é organizar as categorias, o que não vai ser um trabalho fácil”, completa Paula.

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