Politicando

Os palitos bicéfalos

José Fernando da Silva Lopes
| Tempo de leitura: 1 min

No século anterior na década de sessenta a preocupação ambientalista não se generalizara. Eram poucos, muito poucos, os que se preocupavam com temas ambientais que nos dias de hoje têm tanto significado para todos nós.

Naquela década de forma muito tímida iniciou-se movimento social para defesa das árvores e para que fossem evitados, ou, pelo menos, restringidos os seus abates. Ainda que de forma um tanto quanto desordenada a defesa das árvores e das florestas começava a ser posta como tema de preservação ambiental.

Nesse exato contexto, certo Vereador de certa cidade, candidato a reeleição, trouxe a preservação das florestas como principal tema de sua campanha e aproveitava todas as oportunidades para aviventá-lo e enriquecê-lo, mostrando a importância das árvores diante do fenômeno da vida.

E ele sempre encerrava seu discurso com o exemplo dos palitos de fósforo, então de utilização muito ampla por causa dos fumantes ainda não marginalizados do convívio social, anotando que se os palitos de fósforo tivessem duas cabeças e acendessem dos dois lados, reduzir-se-ia pela metade o número de árvores abatidas.

Esse argumento era forte e colava bem no eleitorado. O Vereador foi reeleito e depois novamente eleito e assim por inúmeras outras vezes enquanto viveu, falecendo em pleno exercício de seu mandato. E passou para a história política do município como o autêntico inventor do palito de fósforo bicéfalo, que, infelizmente, nunca foi produzido apesar da sua importância para preservação das florestas.

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