Política

Benê quer trabalhar como pacificador

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

O vereador eleito Benedito da Silva (PSDB), o Benê Enfermeiro, se prepara para estrear na Câmara Municipal de Bauru após ter recebido 2.353 votos nas eleições de outubro. Apesar de ser debutante na função, o parlamentar tem ambições nada modestas e pretende pacificar as relações entre a prefeitura e o Poder Legislativo.

“Acredito que a Câmara, depois do que passou nos últimos quatro anos, vai ter uma sintonia muito grande com o Executivo. Chega de fazer braço-de-ferro, porque a população não agüenta mais isso”, destaca.

Mesmo sendo filiado ao PSDB, partido derrotado no segundo turno da disputa pelo Palácio das Cerejeiras, Benê afirma que sua intenção é ter um bom relacionamento com o prefeito eleito Tuga Angerami (PDT). “Não vou fazer uma oposição burra. Projeto uma convivência tranqüila”, decreta. Primeiro negro a ser eleito vereador na cidade desde Nadir de Campos, em 1960, o tucano está ansioso pelo dia da posse. “A Câmara é uma novidade. Embora eu esteja acostumado a militar na política, ser um parlamentar é diferente”, justifica.

Benê confirma que a área da saúde será seu principal campo de atuação no Legislativo. “Pretendo apresentar projetos que possam reestruturar os programas que já funcionam nas unidade básicas, voltados para idosos, diabéticos e crianças”, anuncia.

Ele acredita que a experiência como enfermeiro que acumula ao longo dos últimos 28 anos irá ajudá-lo na Câmara. “O sistema de saúde precisa passar por mudanças e eu quero ter uma grande participação nesse processo. Depois que o Tuga implantou 21 unidades básicas no passado, poucas surgiram. A população cresceu bastante e a demanda é muito grande”, avalia.

O vereador eleito pretende, inclusive, ser cada vez mais conhecido como profissional de enfermagem. “Esse rótulo até facilita para mim. Se eu me apresentar apenas como Benê, as pessoas não farão a ligação entre o nome e a minha profissão”, argumenta.

Ele não tem a intenção de abandonar a carreira. “Se a legislação permitir, pretendo acumular as duas funções, até porque a maior parte do meu eleitorado está no pronto-socorro. Convivo com as pessoas no dia-a-dia e sei os problemas que elas enfrentam”, diz.

O enfermeiro conta que foi a profissão que o motivou a ingressar na política. “Na convivência que tenho com o povo, percebi que havia a necessidade de alguém na Câmara que tivesse sintonia com a população”, relata.

Apesar da forte ligação com a saúde, ele também tem planos de lutar pelo setor da educação. “Dou aulas para os cursos de técnico e auxiliar de enfermagem. Por ser um docente nessa área, me interesso bastante por ela”, argumenta.

Benê disputou vaga na Câmara pela primeira vez em 1992, a convite do ex-prefeito Osvaldo Sbeghen. Depois, se candidatou novamente em 2000. “Quando o mosquito da política pica, é difícil se livrar dela”, justifica.

Para ele, o Legislativo não é o único lugar onde os rumos da cidade devem ser discutidos. “Fazemos política todos os dias, conversando com os vizinhos e até mesmo em casa”, declara.

Benê faz planos para continuar no PSDB durante os próximos anos. “Acredito que tenho potencial para me reeleger pela legenda”, avalia.

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