Bairros

Estado propõe ajuda a hospital do Paiva

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Em visita a Bauru, Nilson Ferraz Paschoa, chefe de Gabinete do secretário estadual da Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, garantiu ontem que o Centro de Tratamento e Reabilitação em Saúde Mental “Sebastião Paiva” não vai fechar. Após uma reunião com a diretores da instituição e da Diretoria Regional de Saúde (DIR-10), ele anunciou que levará ao secretário as principais necessidades do hospital para que seja estabelecida uma parceria, com o intuito de reforma, investimentos e manutenção do Paiva.

Há menos de um mês, a diretoria do hospital procurou a imprensa para anunciar que a instituição passava por séria crise financeira, que poderia colocar um ponto final nos 58 anos de trabalho e atendimento psiquiátrico aos pacientes de Bauru e região. O hospital atende 204 pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e vem fechando as contas no vermelho há alguns meses.

De acordo com Paschoa, sua visita, ontem pela manhã, teve o objetivo de verificar e discutir as principais dificuldades do hospital, que é mantido pela Sociedade Beneficente Cristã. “O fechamento do hospital não é mais cogitado nem pela diretoria nem pelo governo do Estado, não existe qualquer interesse que isso ocorra. É um hospital importante, que mantém o atendimentos a saúde mental. Nosso interesse é investir, discutir as dificuldades e sair com uma solução que garanta a assistência à comunidade”, afirma.

O chefe de Gabinete revela que a secretaria tem prioridades de interesse junto à DIR-10 que poderiam colaborar com o equilíbrio das finanças do hospital, como a ampliação do atendimento de pacientes em estado agudo. “Vamos continuar em discussão com a diretoria do hospital para chegar a um acordo. Estamos estudando as necessidades para salvaguardar o atendimento de pacientes agudos em Bauru, que atualmente têm de se deslocar para outro município quando não consegue ficar aqui. É plausível fazer isso, com certeza será uma prioridade”, diz.

Além da ampliação e reforma da estrutura antiga da instituição, o chefe de Gabinete destaca que a secretaria deve auxiliar também para o fim da crise financeira. “Precisamos de um ajuste administrativo, inclusive encontrando fontes alternativas de receita para cobrir os gastos. Alguns caminhos já foram vislumbrados pela equipe do hospital. Eles não perderam tempo, e agora, é nossa vez de estarmos juntos e encontrar saídas”, comenta.

Segundo a diretora-geral do Centro de Tratamento do Paiva, Maria Estela Rueda, os gastos mensais da instituição têm chegado a R$ 260 mil, enquanto o orçamento é de aproximadamente R$ 220 mil, com verbas estaduais e federais. O hospital tem conta com 240 leitos e um total de 206 servidores, que receberam ontem o 13.º salário. “Vendemos uma propriedade rural para poder acertar o benefício”, relata Rueda.

Além da crise financeira, ela ressalta a necessidade de investimento na área física e equipamentos, para melhorar a assistência aos atuais pacientes e também ampliar o atendimento. “Ele (Paschoa) vai levar ao secretário essa possibilidade de investir no setor de pacientes agudos, e acredito que teremos algo nesse sentido. Precisamos da reforma da lavanderia, que é inadequada técnica e operacionalmente. Houve uma sinalização positiva neste sentido”, aponta a diretora geral.

Modernização

O chefe de Gabinete da Secretaria de Estado da Saúde, Nilson Ferraz Paschoa, aponta a necessidade da modernização da estrutura física do Centro de Tratamento e Reabilitação em Saúde Mental “Sebastião Paiva”. Para ele, o prédio antigo é desconfortável para os pacientes, dando a impressão de prisão. “Temos de sair do velho e ir para o novo, mas é um processo e uma questão de tempo. Não há como mudar da noite para o dia, mas o compromisso é de que essa mudança seja feita gradualmente”, diz.

Ele destaca ainda a importância do atendimento do Paiva a pacientes do Sistema Único de Saúde, especialmente aqueles em estado agudo e que necessitam de internação. Dos 80 hospitais psiquiátricos existentes no Estado em 1995, apenas 60 continuam em funcionamento. A redução ocorreu por conta da ampliação dos ambulatórios de saúde mental que passaram de 70 para 112. (DM)

Comentários

Comentários