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A era da verdade

Hazel Henderson
| Tempo de leitura: 2 min

É tempo agora de as grandes corporações fazerem contas para se adaptarem às novas realidades da economia global do século 21. A primeira Revolução Industrial se baseou em combustíveis fósseis, no uso intensivo de recursos naturais e em uma concepção materialista de bem-estar e progresso. Tudo isto está mudando na Era da Informação e com as tecnologias mais limpas e mais verdes da nova Idade da Luz, que utilizam recursos renováveis.

As corporações devem enfrentar o desafio da nova superpotência do mundo: a opinião pública global. Seu poder para fazer e desfazer companhias, marcas e reputações em toda a extensão do mundo mercantil eletrônico obriga também a uma adaptação à Era da Verdade. Muitas companhias fracassarão nos testes na medida em que tentarem fazer com que suas operações pareçam respeitar o meio ambiente apenas por meio de campanhas publicitárias. Outras tratarão de atuar ecologicamente, comprometendo-se a adotar os dez princípios de bom comportamento social contidos nas convenções das Nações Unidas.

Este controle da ética das empresas e de seus reais objetivos financeiros, bem como de seus compromissos para enfrentar os crescentes problemas do mundo, mantém as companhias sob observação. Também estão na mira da opinião pública os compromissos empresariais de aliviar a pobreza, a doença, a destruição ambiental e de ajudar a atingir as Metas de Desenvolvimento do Milênio. O empresário norte-americano e crítico empresarial Paul Hawken observou atentamente os fundos de investimento socialmente responsáveis (ISR) e seus vários critérios para examinar as companhias que têm em suas carteiras. O crescente debate sobre os ISR constitui uma tendência muito positiva, já que os critérios éticos mais exigentes determinarão o futuro do próprio capitalismo. Por certo que esta eventual remodelação do capitalismo a fim de conservar o meio ambiente afetará a sobrevivência da humanidade neste pequeno planeta.

Ao enfocar criticamente o emergente segmento de ISR do ainda dominante modelo de capitalismo social e ambientalmente destrutivo obviamente se reforçará este arraigado modelo com seu enorme poder, capacidade de pressão e influência política e controle dos meios de comunicação de massa. Essas forças do capitalismo reacionário, sejam de Wall Street, Frankfurt, Londres ou Hong Kong, e as companhias que continuam utilizando o velho e insustentável sistema industrial baseado nos combustíveis fósseis, darão boas-vindas às críticas dirigidas aos ISR.

Atualmente vivemos em “midiacracias” sejam quais forem nossos sistemas políticos. Os meios de comunicação fabricam políticas, modelam a cultura e educam nossos filhos para melhor ou para pior. A publicidade empresarial leva a um consumismo insustentável e a mercados financeiros atrelados ao constante crescimento do PIB e dos lucros das empresas. Por estas razões fundei o Ethical Markeplace como uma plataforma multimídia global para elevar os níveis, os parâmetros e o comportamento ético de todos os atores do mundo mercantil através do poder da informação e dos meios de comunicação. (A autora, Hazel Henderson, é economista norte-americana)

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