Por três vezes levei meu pai, pessoa simples de seus 60 anos, ao Pronto-Atendimento do Hospital de Base de Bauru com fortes dores na região dos rins. Meu pai tem sua saúde sob guarda do Iamspe que, após reclamações, internou-o.
Uma ultrassonografia de três minutos identificou obstrução de um ureter. Muitas injeções dolorosas e frascos de soro depois, em dois dias de internação, nos quais não obteve atendimento de um médico que fosse, recebeu alta para exame de um certo urologista numa clínica próxima ao hospital(!). Sem mencionar o nome do “exame” - se é que houve algum, para o qual não foi emitido laudo, e que suponho não ter sido a urografia necessária -, o médico disse que não havia nenhum cálculo renal. Retornando ao hospital, recebeu alta e o amável conselho de que procurasse um urologista no SUS. Belo atendimento de urgência!
Que atenção à saúde é essa, que pensa tapear os simples com medicações paliativas, fazendo do hospital bauruense uma terra-de-ninguém, malcheirosa ante-sala da morte, sem equipamentos, médicos, resolutividade?! Seu funcionamento, no entanto, tem uma estranha lógica: administra a doença, conseguindo privatizar exames de qualidade risível sem médicos para interpretá-los adequadamente. E com um complemento: quando meu desesperado pai abandonou o quarto, uma atendente ligou em minha casa solicitando o xerox do seu holerite (já era o 3.º xerox). Adoecida folha morta que, é claro, era a única a merecer a atenção reiterada. (Gisele Toassa - RG 29.284.400-1 - doutoranda em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano - USP-SP)