O autor do disparo que matou a estudante Cláudia Araújo, 18 anos, baleada na companhia do namorado na noite de quarta-feira, é um dos mais recentes alvos da polícia. Um inquérito já foi instaurado no 3.º Distrito Policial, que acompanhará o caso, assim como a Delegacia de Investigações Gerais (DIG).
“Foram feitas investigações, que continuarão durante o final de semana. Vamos ouvi-lo quando acharmos oportuno”, diz o titular da DIG, J.J. Cardia, ao se referir a Vinícius Dalólio Ramire, 20 anos, namorado da vítima. O rapaz contou a polícia que o casal foi abordado por três homens, quando estava no interior de um veículo estacionado na quadra 1 da rua Florêncio Souza Leite, na Vila Zillo.
Quando ele foi tentar abrir a porta do carro, um dos ladrões disparou a arma e a bala atingiu Cláudia. Apesar do ferimento, ela, Ramire e os trio circularam pela cidade por cerca de 30 minutos, conforme a versão do moço. Ainda de acordo com ele, os dois foram abandonados num ponto da rodovia Marechal Rondon, sem o celular dela, o tênis dele e R$ 40,00 em dinheiro.
O caso, registrado como latrocínio, chegou ao conhecimento da Polícia Militar (PM) quando Ramire avistou uma viatura em patrulhamento. “Ele deu luz alta e buzinou. Ela estava caída com as pernas no banco da frente (e o corpo no compartimento de trás)”, relembra o cabo da PM Maurício Santos, que atendeu o caso.
De acordo com ele, Cláudia foi colocada dentro da viatura policial e levada ao Pronto-Socorro Central, onde já chegou sem vida. “Ele estava descalço e em estado de choque”, acrescenta o soldado Mauro Rogério de Souza, companheiro de Santos no patrulhamento. Os policiais das Base Comunitária Oeste confirmaram que a moça estava em trajes íntimos e ferida logo abaixo do seio.
Informações prestadas pelo diretor do Instituto Médico Legal (IML), Ivan Segura, dão conta de que a bala transfixou o coração e o pulmão de Cláudia, situação que provocou hemorragia interna e uma morte rápida. O laudo do IML ainda aponta que o disparo não foi à queima-roupa e que a moça não havia mantido relações sexuais naquela noite, nem estava grávida.
Cláudia foi apontada por vizinhos como uma moça reservada e discreta. Avaliação semelhante recebeu Ramire, que trabalha e cursa Ciência da Computação na Universidade Paulista (Unip). O casal foi caracterizado como normal, tranqüilo e belo pela vizinhança.