O aparecimento de várias lojas que se dedicam ao comércio dos produtos da linha “zen” significa uma maior procura por produtos em Bauru. Depois de consolidado no mercado, os kits de velas decorativas ou com sementes, os sabonetes, tubo colorido com sementes brasileiras aromatizadas, “jardim zen” de madeira ou parafina, entre tantos outros artigos, passaram a ser preferidos no filão de brindes.
As tradicionais agendas, folhinhas de calendário, canetas e chaveiros ganharam um concorrente com forte apelo comercial.
A comerciante Carla Motta conta que empresas multinacionais encomendam seus produtos para causar ótima impressão junto a clientes, fornecedores e parceiros.
Ela explica que as empresas estão utilizando a cromoterapia para vender produtos. O comércio de refeições rápidas (fast food) domina a técnica da combinação de cores quentes, como amarelo e vermelho, para estimular seus clientes ao consumo rápido. O ambiente com estes tons propicia, também, a rápida circulação das pessoas, que comem e dão lugar a outros consumidores.
A linha “zen” é muito versátil na criação de novidades. A palavra relaxar ganha novo significado com um aparelho que faz cafuné. O orgasmatron tem um nome que sugere outra coisa, porém, sua finalidade é massagear a cabeça. Um “jardim zen” feito de madeira e parafina e colocado sobre a mesa, tranqüiliza ao passar uma imagem de paz. Um tubo com algas marinhas feitas com sementes brasileiras aromatizadas é ideal para equilibrar o ambiente de trabalho ou da residência.
Estilo de vida
Muito tempo antes que a “onda zen” ganhasse fôlego no Brasil, muitas pessoas tinham assimilado em seu modo de vida elementos de todas as vertentes. Os sinais mais comuns vinham da cultura oriental. Enquanto muitos mergulhavam no modismo passageiro, alguns já tinham passado da fase do “bê-á-bá”.
Longe de ser simplesmente uma consumidora ávida, a jornalista Vitória Fernandes conta que sempre gostou de tudo relacionado com o mundo místico, numa constante busca por energia positiva.
“Tudo tem energia. Desde o que você veste, respira, ostenta em sua casa. Esses elementos místicos acabam ajudando nesse processo”, justifica.
Ela lembra que em qualquer vertente mística se encontra solução para uma expectativa que se cria. “Você trabalha sempre com intenções. A intenção é sempre muito mais emocional, do que no plano material. Você coloca uma tartaruga em casa porque pensa em longevidade. Cada um tem uma crença. Não tem a ver com religião”, ressalta.
Vitória adotou o feng shui, ciência criada há mais de seis mil anos. Ela explica que existem várias correntes, algumas adaptadas para a cultura ocidental, como a escola do Chapéu Negro, que considera mais fácil para as pessoas aplicarem.
A jornalista conta que o feng shui aplica um diagrama sobre a planta baixa da casa. “Você encontra oito setores e daí vêm as indicações do que se deve fazer. Que tipo de cor, elemento, para que a energia positiva (chi) circule na sua casa. É uma vida mais completa em todos os sentidos”, explica.
Como trabalha em uma editora com publicações místicas, Vitória pesquisa muito o assunto. Há cerca de cinco anos, estuda feng shui e se sente fascinada pelas descobertas. Quanto aos resultados, diz que depende da percepção de cada pessoa. “Fiquei contente com o que fiz em minha casa. Acho que se você acredita nisso, metade do caminho você percorreu para que dê certo.”
O ato de presentear pode ser muito mais do que apenas agradar alguém estimado. O presente leva uma carga de sentimentos que traduzem um pouco o jeito de ser de quem está oferecendo o “mimo”.
A funcionária pública estadual Tânia Mara Dinardi Machuno dos Santos tem predileção por presentear com velas decoradas. Ela não se considera uma pessoa esotérica, mas tem afinidade e sensibilidade para assuntos místicos. Um dos seus desejos é algum dia poder estudar esoterismo, pois considera seus conhecimentos muito elementares.
“Você pode, com sua intenção, acender uma vela e, com isso, tentar aumentar a luz que tem à sua volta e que as pessoas vão em busca de coisas claras. Uma coisa puxa a outra. A verdade puxa a justiça”, define.
Ela tem como critério não apenas escolher o presente conforme o perfil da pessoa que irá recebê-lo, mas que o objeto traduza seus sentimentos. Tânia diz que, há muito tempo, oferece presentes da linha mística e já está preparando sua lista para este ano.