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Compulsão afeta vários setores da vida

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

De acordo com o ginecologista e sexólogo Amaury Mendes Júnior, diretor do Centro de Estudo em Terapia Sexual do Rio de Janeiro, o grande problema da traição virtual é o hábito transformar-se em compulsão.

É quando navegar por sites pornográficos torna-se uma necessidade e a pessoa começa a deixar coisas importantes de lado, como o sono e o trabalho para passar horas e horas olhando corpos nus, trocando mensagens eróticas com alguém ou se masturbando diante do monitor.

â€œÉ um processo semelhante ao que ocorre com os dependentes químicos. Eles têm necessidade daquilo, é um desvio de comportamento, eles procuram aquilo como cura, como tratamento para um sofrimento. Só que eles não têm paz, não têm prazer, não se satisfazem”, descreve.

“De repente, o indivíduo vê seu casamento, seu lar, seu emprego, tudo o que construiu desmoronar. Há homens que têm um relacionamento sexual frio e rápido com a esposa para correr ao computador. Eles têm uma tendência muito grande à promiscuidade e isso rompe os elos de um relacionamento. Como há mulheres que se aventuram em páginas eróticas e são enganadas, chegando até mesmo a perder dinheiro”, acrescenta.

Segundo o médico, as páginas eróticas são as campeãs de visitação por parte dos 5 milhões de brasileiros que acessam a Internet. Somente em um dos sites de pesquisa mais utilizados do País, a palavra “sexo” é motivo de mais de 2 milhões de buscas por mês. Cerca de 73% dos acessos são feitos por homens, sendo que dois em cada três são casados ou comprometidos.

Para Mendes Júnior, várias situaçõse justificam isso. A curiosidade é o mais comum. “A natureza masculina não muda de acordo com o seu estado civil. Pode ser amansada por uma boa companheira sexual e muita dedicação de ambos ao relacionamento. Porém, a simples visão de algo erótico produz excitação no homem”, afirma.

Foi o que aconteceu com “P”, um escritor fluminense, que pede para não ser identificado. “Eu fui um grande ‘galinha’ virtual quando estava casado. Me correspondi com várias mulheres. A sensação de estar ‘conquistando’ alguém é a mesma, por e-mail ou chat, que a que sentimos na ‘vida real’. A vantagem é que você tem menos possibilidade de ser descoberto e que as conseqüências não vêm quando o encontro real não acontece”, explica.

Até o dia em que “P” esqueceu o celular em casa e uma dessas “amigas” virtuais telefonou. “Minha então mulher atendeu e, quando cheguei em casa, o circo estava armado”, lembra.

“O interessante é que , quando me separei, arranjei uma namorada nos moldes convencionais. A partir daí, perdi o interesse por chats. Rompi com aquela, arranjei outras e, agora, com uma namorada ‘firme’, não tenho a menor vontade de ficar paquerando virtualmente”, garante.

Outras vezes, segundo o especialista, é o relacionamento que tornou-se rotineiro ou insatisfatório e o homem vê-se motivado a buscar outras fontes de prazer, como conta “D”.

“Quando terminei a faculdade, no Paraná, e vim trabalhar em Bauru, M. e eu tínhamos seis meses de namoro. O relacionamento ia muito bem, mas depois de quatro meses já estava me sentindo um pouco sozinho e começamos a ficar mais distantes, com telefonemas menos freqüentes e viagens impossibilitadas por compromissos e outros problemas. Num final de semana, entrei num bate-papo de Internet e conheci R.”, lembra.

Depois de algumas semanas trocando mensagens virtuais, “D” e “R” marcaram um encontro e começaram a sair juntos, mas uma não sabia da outra. “Um dia, ‘R’ estava fuçando no meu celular e encontrou um torpedo de ‘M’. O circo estava armado. Ela ligou para ‘M’ e contou tudo sobre nós”, diz.

“O saldo dessa traição foi ter perdido completamente a amizade e o carinho de ‘M’ e de praticamente todos os amigos em comum. ‘R’ e eu tentamos continuar juntos, mas qualquer discussão era motivo para trazer todo o assunto à tona. Decidimos terminar e hoje ainda somos amigos”, comenta.

Mendes Júnior ressalta que o limite entre o que é traição ou não é algo muito subjetivo. Há parceiros que acham engraçado, outros se sentem absolutamente enganados. Quando o diálogo não é suficiente para o ajuste de contas, a terapia de casal pode ajudar.

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